Por Valeria Duarte

O domínio britânico dos poços de petróleo no Irã até meados da década de 1950 levou a uma revolta popular que teve como consequência o fim da monarquia. Naquele momento, o presidente eleito resolveu nacionalizar suas jazidas petrolíferas, colocando fim ao domínio britânico no Irã.

Os britânicos, por sua vez, pediram ajuda aos EUA (que até esse momento não tinham influência na região), que usaram a CIA para orquestrar um golpe de Estado e devolver a monarquia ao Irã. A partir desse momento, o Xá do Irã (Rehza Pahlavi) se transformou em um escudeiro fiel dos EUA no Golfo Pérsico (área petrolífera), aumentando significativamente a influência estadunidense na região.

O “amor” entre EUA e Irã durou até 1979, quando eclodiu a Revolução Islâmica: o Xá fugiu do Irã, a embaixada dos EUA foi ocupada (permaneceu ocupada até 1989), os EUA impuseram um bloqueio econômico ao Irã, que durou até a libertação dos reféns na embaixada (outros bloqueios foram impostos posteriormente) e romperam relações diplomáticas.

Em 1980, com o objetivo de conter a Revolução Islâmica no Oriente Médio, eclodiu a guerra Irã x Iraque. Nesse momento da história os EUA apoiavam Sadam Hussein, esse apoio permitiu que Sadam usasse armas químicas contra a população iraniana e contra os curdos que vivem ao norte do Iraque.

Atualmente, com a mobilização mundial pelo uso de combustíveis menos poluentes, o gás natural gradativamente vem se transformando em um substituto do petróleo para geração de energia. A China está aos poucos substituindo o carvão pelo gás; Putin (presidente russo) inaugurou recentemente um mega gasoduto em acordo com a China. Irã e Qatar detém o maior campo contínuo de gás natural do mundo. Havia um projeto (com o aval da Rússia) entre Irã, Iraque e Síria para a construção de um gasoduto que sairia do Golfo Pérsico, passando por Alepo (Síria), para chegar ao mercado Europeu. Entretanto, o projeto não saiu do papel pois eclodiu a guerra na Síria (coincidência?).

Outro fator que merece destaque é a mudança no parlamento iraquiano; a população exige mudanças na política interna iraquiana e essas mudanças podem culminar com a expulsão dos EUA do território iraquiano. Não podemos esquecer que o general assassinado era favorável às forças de resistência do Iraque.

Enfim, sem ocupação territorial não há domínio dos recursos naturais estratégicos da região, o petróleo está perdendo importância para o gás natural… Ou seja, quem dominar o maior campo de gás no Golfo Pérsico dominará o mercado de gás na Eurasia.

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