>>> Por Giovanni Romão (jornalista e articulista do blog Papo Sem Censura

De Batalha da Bíblia, nascida em 2012 e que chegou a reunir 2 mil pessoas em seu auge, chega a primeira edição da Roda Cultural “Mundo Livre”, que acontece nesta quinta (19), às 19h, no Viaduto João Kozlowski, na região central de Pindamonhangaba. A proposta (re) nasce com a finalidade da promoção da cultura e do entretenimento livre para todas as idades e públicos.

Realizado por um coletivo de artistas, os organizadores apontam que a atividade tem “o objetivo de contribuir com a arte em um evento único nunca antes visto”. Nessa primeira edição, a Roda Cultural será composta por 3 atos [programação no fim desse artigo].

Para acontecer, a manifestação popular, de rua, assim como em muitos pontos do país, enfrenta os desafios do sistema, as burocracias da máquina pública e a repressão por parte dos órgãos policiais.

O Blog Papo Sem Censura conversou um pouco sobre essa primeira edição da Roda Cultural com um dos coorganizadores, João Amaral, que fala da história do movimento, dos desafios e do poder de resistência cultural nos espaços públicos, algo previsto na Constituição Federal de 1988, em seu artigo 5º, XVI, como destaca a advogada Rafaela Paula Ribeiro Mendes.  “A Constituição Federal de 1988 assegura, o direito fundamental de reunir-se em locais públicos a todo e qualquer cidadão”, afirma Rafaela. “O texto Constitucional é claro. As reuniões públicas não estão condicionadas a autorizações de qualquer natureza e seu exercício depende simples e tão somente de aviso prévio à autoridade competente, para o qual a Constituição Federal não exige nenhuma espécie de formalismo especial. “

Segundo o artigo citado da Constituição, “Todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente.”

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Blog: Como nasce essa proposta de movimento?

João Amaral: Em 2012 iniciamos nossa trajetória com a Batalha da Bíblia, que carrega o nome do local onde sempre aconteceu, na “Praça da Bíblia”. As batalhas se destacavam pela qualidade desde a apresentação aos participantes envolvidos, sempre reunindo e revelando grandes talentos.

Blog: E então o evento, ao ganhar legitimidade popular, cresce….

João Amaral: Com o passar do tempo, o público entrou em uma crescente e, em 2016, chegamos ao ápice com aproximadamente 2 mil pessoas em uma praça pública – estimativa da Polícia Militar. Em algumas dessas reuniões já enfrentávamos oposições ao movimento, principalmente por parte da Prefeitura e da Polícia.

Blog: Como o coletivo age diante de situações, num evento ao reunir grande público, que eventualmente possam sair do controle?

João Amaral: Em nossa última edição enfrentamos problemas por conta de uma briga por parte de terceiros e tomamos as medidas cabíveis para que não fosse vinculado o ocorrido ao evento, mas tudo em vão. Na manhã seguinte recebemos um informe de uma denúncia no Ministério Público e a Prefeitura não autorizaria mais o evento. Retomamos nossa programação sem nenhum tipo de apoio, enfrentamos a truculência da Polícia e, sob ameaças, fomos obrigados a abandonar a Batalha da Bíblia, evento que ainda aconteceu mais algumas vezes em locais variados.

Blog: Mas a força da cultura em espaço público resiste e redescobre caminhos, é isso?

João Amaral: Decidimos retomar as atividades com o coletivo, dessa vez com a primeira Roda Cultural da cidade, chamada “Mundo Livre”. E logo em nossa primeira edição, a velha história: a Prefeitura da cidade nos negou um pedido de uso de espaço público, com os argumentos de que eventos que acontecem nesse local acarretam em problemas; porém, um detalhe é importante: a Prefeitura promoveu um evento no mesmo espaço há pouco mais de 2 meses.

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Confira a programação:

*Primeiro ato:

Abertura + CineRap012:

Amostra de cinema Cultural ao ar livre,por “Guilherme Chalita”.

CineRap012 projeto criado pelo mesmo, com a finalidade de expor um pouco mais sobre os artistas da nossa região.

*Segundo Ato:

Batalha do Gama:

A Batalha do Gama se apresenta mantendo a tradição das batalhas de sangue abrindo espaço para batalhas de conhecimento e afins. A Batalha trás em seu nome uma singela homenagem a Luiz Gama, defensor da liberdade e dos direitos humanos, figura primordial para a abolição da escravatura no Brasil.

*Terceiro Ato:

Discotecagem e encerramento:

No comando do som; GoldMiner aka Flavus,Dj/produtor e pesquisador musical. Vem se destacando pela sensibilidade com as produções e bom gosto em seus sets, dos clássicos do Rap Nacional e Internacional, às pérolas que só a música brasileira tem.

  • Apoio:

*Barbearia Family Brook

*Mr Fish produções

*Ocala Long Beach