>>> Por Gerson José Jório Rodrigues (jornalista)

No dia 2 de outubro de 2020, acontecerá o primeiro turno das próximas eleições municipais.

Os futuros candidatos já estão se movimentando no sentido de organizar a sua participação no pleito. Pensando nisso, eu perguntaria: Já seria possível fazermos um prognóstico do próximo pleito proporcional?

Muita gente vai dizer que se trata de uma tarefa impossível, uma vez que não conhecemos todos os candidatos, partidos em disputa e até mesmo qual será a conjuntura política da ocasião. Mas, acredito que não seja necessário desistirmos precocemente. Podemos tentar uma reflexão sobre o assunto, ou, talvez, até mesmo uma conjectura.

Para tanto, vou começar colocando alguns elementos, frutos de pesquisas e constatações empíricas, que julgo serem importantes para a realização dessa tarefa.

As evidências nos mostram que numa eleição proporcional um pequeno número de candidatos sempre arrebanha a maior parte dos votos. É o que eu chamo de princípio de Pareto, numa alusão às descobertas do economista italiano Vilfredo Pareto.

Outro elemento invariavelmente presente em todas eleições, é o que nomeei de Regularidade de Votação, e que pode ser facilmente observado quando olhamos, por exemplo, a votação do vereador Jânio Lerário, nas últimas três eleições proporcionais de Pindamonhangaba (2008 = 1.540 votos, 2012 = 1.561 votos e 2016 = 1.523 votos), ou a votação do candidato Fernando do Mel, em três eleições consecutivas (2004 = 209 votos, 2008 = 265 votos e 2012 = 257 votos).

Mais um item importante a ser analisado é a capacidade dos partidos em atender a cota de gênero, previsto no artigo 10, parágrafo 3º, da Lei das Eleições. Segundo o dispositivo, cada partido deverá preencher o mínimo de 30% e o máximo de 70% para candidaturas de cada sexo.

Agora, sem a possibilidade de coligações, os partidos não vão mais poder usar outras agremiações como escudo para atingirem os 30% de um mesmo gênero previstos na lei.
No próximo dia 12 de abril, termina o prazo para que as siglas partidárias enviem as relações atualizadas de seus filiados à Justiça Eleitoral, que no dia 22 de abril publicará as relações oficiais na internet.

Hoje, apoiado apenas nas atuais listas de filiações partidárias e o conhecimento dos elementos expostos anteriormente, posso afirmar que três partidos lideram a corrida eleitoral em Pindamonhangaba: PR, PSDB e PV, que juntos ficariam com quase 65% dos votos nominais, restando apenas 35% para outras 25 agremiações que geralmente disputam as eleições em nossa cidade.

A desfiliação a um partido deve ser feita durante o período de 30 dias que antecede o prazo de filiação. Portanto, durante esse intervalo de tempo pode ocorrer migração de candidatos de um sigla para outra e, creiam, essas mudanças vão definir as eleições proporcionais de 2020.

Os votos de legenda e a recente presença dos algoritmos nas eleições, também podem modificar um pouco isso, mas, esses assuntos vamos deixar para os próximos artigos.
Assim sendo, posso dizer que a partir de 22 de abril de 2020, depois de conhecermos as migrações citadas acima, teremos clareza suficiente para prever os resultados que virão pela frente.