O Blog Papo Sem Censura foi procurado por Eduardo Moura e Silva, que prestou o concurso público de Pindamonhangaba neste domingo (4). No contato, ele pediu espaço para publicação de uma carta aberta sobre o fato. O blog confirmou a participação do candidato no concurso e publica a carta abaixo. A posição da prefeitura sobre o caso está neste link.

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Íntegra da carta aberta:

Venho por meio desta carta aberta, deixar registrado minha indignação aos fatos que ocorreram durante as provas do “Concurso Público 001/2019 – Prefeitura Municipal de Pindamonhangaba”, realizado no dia 04/08, na cidade de Pindamonhangaba, na FUNVIC e organizado pela IUDS (Instituto Universal de Desenvolvimento Social).

Meu nome é Eduardo Moura, e tenho participado de vários concursos e provas parecidas (vestibulares etc) durante os anos, inclusive trabalhando na organização do “ENEM”, e nunca me senti da maneira como me senti hoje. As coisas que relatarei em tópicos foram todas as que eu vivenciei durante o processo, praticamente um circo, uma palhaçada.

  • Portões fechados meia hora antes do início da prova (que seria às 09hrs da manhã), enquanto chovia no local;
  • Ao entrar no local, não havia indicativos de sala, dispostas de maneira confusa, onde o bloco de salas que vinha primeiro, começava pelas salas de número maior;
  • A minha sala que inicialmente seria a de número 64 não existia (ouvi alunos procurando por sala 65), a última sala existente era a 63, e ainda assim não comportava todos os nomes referidos na lista;
  • Ninguém sabia informar nada, e as informações passadas sobre a inexistência da minha sala, eram erradas;
  • Conseguiram uma sala para todos os outros candidatos sem sala quando já se passava das 09hrs da manhã;
  • A sala em si devia caber 40 alunos, já estava com o dobro da lotação;
  • Alegaram que “haviam mais candidatos que o previsto”. Que eu tenha conhecimento a partir do momento em que as inscrições são encerradas o número de candidatos já é de conhecimento. Ou eles simplesmente abriram os portões e quem quisesse fazer a prova, e que estivesse passando ali na rua, podia entrar? O deboche dos “organizadores” era terrível;
  • Não havia nem dois palmos de distância de uma carteira para outra, e quando uma candidata questionou sobre isso, o fiscal do local ironicamente disse para ela que era “só não olhar pra prova do coleguinha”;
  • O horário da prova provavelmente foi diferente entre as salas, começamos a nossa às 9:34;
  • O fiscal deixou a sala sozinha com os pacotes de provas em cima da carteira (ao menos ninguém tentou olhar);
  • Vi candidatos com material alheio em cima da carteira, proibidos e descritos no edital, inclusive relógios;
  • O gabarito não foi entregue conforme as instruções. Primeiro entregaram a prova e depois (com o RG retido pelo fiscal), entregaram o gabarito, e de maneira aleatória. Em dado momento eu já tinha terminado de preencher o meu, enquanto haviam pessoas que nem tinham recebido;
  • A lousa da sala estava cheia de informações das aulas da faculdade (em concursos não pode haver nada na sala de aula), e segundo o fiscal não havia caneta para colocar as informações necessárias a prova na lousa, então não ficávamos sabendo quanto tempo havia decorrido durante a prova;
  • O fiscal não avisou sobre o início das provas então os candidatos simplesmente começavam a prova sem as devidas instruções, enquanto outros ainda nem haviam recebido o material;
  • Não havia volantes no corredor para que os candidatos pudessem ir ao banheiro;
  • O horário de permanência mínima (que era de uma hora), foi avisado com atrasado, após insistência de uma candidata que precisava ir ao banheiro.

Relatos de amigos que fizeram a prova nos dois pólos da Anhanguera em Taubaté, também comentavam sobre pessoas usando “smartwatches” durante a prova, relógios esses ligados a internet e a celulares que obviamente estavam sendo usados para cola. Salas que estavam entregando o caderno de perguntas e o gabarito na porta da sala enquanto os alunos iam entrando ao invés do horário oficial e de maneira uniformizada. Por sorte não fui o único a reclamar publicamente, e em poucas horas uma matéria sobre o caso, foi publicada no G1.

No fim, saí de lá me sentindo um palhaço. Vi centenas de pessoas depositando suas esperanças, atrás de uma oportunidade de emprego, 39 mil como informado, trinta e nove mil pessoas em busca da segurança em meio a absurdos que estamos vivenciando no atual estado político do nosso país. E para o que o concurso obviamente serviu? Para o simples propósito de arrecadação. Acreditar que seja tudo armação não fica difícil depois de ver tantos absurdos.

Quando o valor da prova é tão baixo, já sabemos que a quantidade de candidatos será proporcional, claro que esperamos alta concorrência, mas o mínimo que precisamos é de um lugar seguro, calmo, e sem problemas tão absurdos como estes (os que vi, imagina outros tantos piores que não tiveram), para fazermos uma prova em paz e concentrados. Nós saímos com o sentimento de humilhação quando coisas assim acontecem, feitos de idiotas.

Eduardo Moura e Silva