Localizado na região dos Lagos, considerada uma das mais belas do litoral do Rio de Janeiro, o município de Iguaba Grande reúne cerca de 22 mil eleitores. Em 2018, eles foram às urnas para as eleições nacionais, e entregaram os seguintes resultados:

1º turno

– O deputado Estadual mais bem votado na cidade foi Pedro Ricardo (PSL), que não acabou assumindo cadeira por proporcionalidade de votos;

– O deputado Federal Helio Fernando Barbosa Lopes (PSL), eleito como o mais votado do Rio de Janeiro, foi o terceiro mais votado na cidade;

– Para o Senado, a cidade entregou 10.176 votos a Flávio Bolsonaro, ou seja, 36% na cidade. O segundo, Arolde de Oliveira, PSD, teve a metade de Flávio.

– Witzel fez 50% dos votos e Bolsonaro, 72% dos votos.

2º turno:

– Witzel, eleito governador, chegou aos 74% dos votos em Iguaba;

– Bolsonaro, eleito presidente, atingiu 78%.

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Toda essa bagagem de votos e popularidade que Bolsonaro, família e companhia conseguiram mostrar nas eleições de 2018 foi testada pela primeira vez em uma eleição municipal. A cidade de Iguaba teve disputa no último domingo (2 de junho), após a perda dos mandatos da prefeita Ana Grasiella Magalhães (PP) e do vice Leandro Coutinho (MDB), eleitos em 2016.

A família Bolsonaro desceu em peso à região dos Lagos. Na entrada da cidade, um grande outdoor trazia o presidente, Jair, e o filho, Flávio, ao lado do candidato do PSL, o Suboficial Washington Tahim. Flávio chegou a ligar para colegas de bancada do PSL na Câmara Federal e pediu apoio na eleição de iguaba.

E o primeiro teste da força do clã Bolsonaro em eleições municipais falhou…

Tahim obteve 3.188 votos, perdendo a disputa para Vantoil (PPS), que foi eleito prefeito de Iguaba Grande com 5.118 votos. Tahim ainda foi seguido de perto por outros dois candidatos: Rodolfinho Pedrosa (PR), com 2.842, e Miqueias Gomes (MDB), com 2.675.

Segundo o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), 15.321 eleitores votaram e a abstenção foi de 32,54%.

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É certo que ainda é cedo para dizer que o cenário de Iguaba antecipa os amargos resultados projetados para o PSL em 2020, diante da impopularidade do governo federal; Assim como é certo dizer que a transferência de votos de Bolsonaro e cia nos cenários municipais está longe de ser algo consolidado e automático.

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