Corte de 43% no orçamento das Forças Armadas. Decreto liberando porte de armas para algumas categorias, incluindo políticos e jornalistas. Apoio aos ataques verbais de seu guru, o autoproclamado filósofo, Olavo de Carvalho, aos militares que ocupam cargos no governo federal. Alinhamento ideológico e estratégico militar aos EUA, o que inclui a entrega da base de Alcântara. Congelamento de verbas que seriam aplicadas em políticas públicas, em especial a educação. E por aí vai…

Com quatro meses concluídos de governo, Bolsonaro fez um movimento que parece definitivo: o de apostar nas pautas de extrema-direita, aquelas que representam certamente uma parcela do eleitoral que o colocou na cadeira de presidente. Aqui é preciso abrir um parêntese. Já falamos sobre isso no blog: nem todos os 57 milhões de eleitores de Bolsonaro são eles fascistas; podem até flertar com um ponto ou outro do que diz Bolsonaro, mas é preciso serenidade e um olhar para o contexto histórico para entendermos que a ascensão de figuras extremistas está atrelada a diversos fatores.

Mas voltando ao foco deste editorial, os movimentos recentes mostram que Bolsonaro decidiu fazer uma escolha. A posse de arma, já assinado em janeiro, agora virou porte de arma. Seus seguidores defendem o fechamento do Supremo Tribunal Federal e do Congresso Nacional. Os ataques às minorias tornaram-se algo institucionalizado – “esse negócio [de racismo] já encheu o saco”, disse Bolsonaro em entrevista chapa-branca à Luciana Gimenez. Vai à televisão mentir sobre a reforma da previdência, vender aquilo que ela está longe de ser – justa.

Reuniu-se com os militares, após apoiar os ataques do guru Olavo. Os militares anunciaram que vão optar pelo silêncio – estar quieto, porém, não quer dizer parado. É preciso aguardar, mas esse é outro assunto.

Para além das trapalhadas que marcam o início do governo de Bolsonaro, uma coisa vai ficando evidente no entrar do quinto mês: Bolsonaro fez uma escolha. Ele era, declaradamente, um candidato de extrema-direita em 2018. E assim foi eleito. Bolsonaro não está fazendo nada de novo, está apenas sendo o que sempre foi… Antes ele só não era presidente.

>>> Assina este editorial: Giovanni Romão (jornalista e articulista do blog Papo Sem Censura