No dia 28 de janeiro, a Câmara de Pindamonhangaba iniciou os trabalhos de plenário rumo ao segundo biênio da atual legislatura. Aos 11 parlamentares, além das funções básicas de fiscalizar e criar leis, o papel político entra em jogo com a aproximação da próxima disputa eleitoral municipal, em 2020.

A postura mais enfática dos parlamentares na primeira sessão de 2019 mostra que o segundo biênio tende a ser mais político do que o primeiro – algo natural. Resta saber como, ao longo dos próximos dois anos, cada vereador irá conduzir o seu mandato. De um jeito ou de outro, os reflexos políticos serão testados apenas nas urnas de 2020.

Olhando para os últimos anos, o blog separou alguns exemplos de atuações parlamentares e definiu três grupos. Resta saber em qual deles cada um dos 11 atuais irá de fato se encaixar; ou até mesmo criar uma nova categoria com características próprias.

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Vereador de “oposição”

Nesta categoria, alguns exemplos mais recentes são os nomes de Carlos de Moura Magrão, Professor Osvaldo e do hoje vice-prefeito, Ricardo Piorino. Os dois primeiros fizeram uma firme oposição ao então prefeito Vito Ardito Lerário, de 2013 a 2016, embarcaram na onda do fim do “coronelismo” e subiram expressivamente as suas votações em 2016 frente ao resultado de 2012 – avanço em cerca de 1 mil votos.  O mesmo fez Piorino, especialmente no biênio 2011-2012, quando foi presidente do Legislativo e puxou uma pesada oposição a João Ribeiro, de quem já havia sido correligionário no PPS – seu salto na eleição de 2012 também foi de cerca de mil votos em relação ao pleito anterior, de 2008 – quando quase perdeu a vaga na Câmara, vencendo a disputa direta com a pastora Magda por apenas 6 votos. Atualmente, Osvaldo e Magrão ocupam o grupo de situação, no mesmo partido do prefeito Isael e do vice, Piorino.

Vereador “baú”

Nesta categoria entram nomes como Felipe César, Jânio Lerário, Toninho da Farmácia, Carlos Gomes Cal e Martim César. São parlamentares com possuem uma base eleitoral “consolidada”, um “baú” de votos, e navegam na mesma faixa de votação a cada eleição, realizando pontuais renovações; e chegam a ocupar 4 ou 5 legislaturas – vezes mais – com certa tranquilidade. Porém, conforme o “nível de corte” de votação vai subindo, alguns sucumbem a depender do quociente eleitoral das coligações pelas quais concorrem. Felipe César foi “vítima” dessa situação em 2008, antes de voltar em 2012, enquanto Carlos Gomes “Cal” caiu no pleito de 2016 por uma margem de 30 votos para Jânio Lerário, da mesma coligação. Martim César teve um agravante para a sua imagem parlamentar devido ao desgaste do tema do uso de carros oficiais. Dos vereadores atuais e com mais de uma Legislatura, Roderley Miotto também parece entrar nesse grupo; sem uma posição enfática enquanto situação (legislatura 2013-2016) e nem como oposição (atual) mantém canais abertos com diversas frentes políticas e utiliza bem os canais de comunicação e o microfone da Câmara para construir a narrativa.

Vereador “relâmpago”

Nesta categoria, são alguns os exemplos nos últimos anos: Dona Geni, Jair Roma, Abdala Salomão e Professor Eric. Com atuações políticas fracas, seja na falta de posicionamento durante as sessões ou no corpo a corpo do dia a dia junto à população, não conseguem agregar eleitorado de uma eleição para a outra, chegando até mesmo perder votos. São provas de que a arte da política exige mais do que um bom trabalho técnico, é preciso ter voz e narrativa firma a ser defendida junto à sociedade. Fora isso, vão para “nunca” mais voltar.