Temos presidente novo, governador novo… Mas as práticas são velhas e ao que tudo indica a vitrola seguirá sofrendo com o disco arranhado. Pior, no caso de Jair Bolsonaro, os desencontros de seu início de governo ou são propositais, como um arranjo estratégico de sobrevivência, ou são resultado mesmo de uma equipe pouco coesa. Seja qual for a resposta, os primeiros resultados – sim, com nove dias já podemos falar em primeiros resultados – não são nada positivos. Em SP, Dória já disse que 60 mil alunos devem começar o ano sem professores; diz que o problema é judicial. Esquece apenas que o seu partido, o PSDB, governa o Estado por mais de duas décadas – diria que o problema é, portanto, estrutural.

Mas, como diz Chico Pinheiro, “é vida que segue”. No editorial “Só há um caminho para Lula deixar a prisão” demos aquela leve cobrada nas lideranças nacionais dos campos progressistas e de esquerda. Afinal, o trator está passando.

E os 4 R’s?
Oposição que surgiu na Câmara de Pinda a partir da escolha da nova mesa diretora, em dezembro passado, o grupo formato por Ronaldo Pipas, Rafael Goffi, Roderley Miotto e Renato Cebola, conhecido como 4 R’s, ainda não revela de fato qual será a linha de atuação a partir de 2019. No fim do ano passado estiveram juntos na maioria das votações, como nos votos contrários às reformas organizacional e administrativa da prefeitura, e chegaram a gravar vídeos antes das sessões. Agora, resta esperar os passos no ano que se inicia.

Reunião deve ocorrer em breve
Em resposta ao blog, o tucano Roderley Miotto afirmou que ainda não há nada definido quanto à linha de atuação do quarteto, mas indicou que algo deve ser conversado em breve. “Não sentamos para conversar ainda, deve haver uma reunião por volta do dia 15”, diz. E antecipa: “A ideia é atuar na mesma linha. Uma oposição saudável pelo bem de Pindamonhangaba, votar sem rabo preso, sem troca, sem favor.” O parlamentar fala ainda em uma atuação mais firme em alguns temas. “Temos ouvido muita coisa. Se tiver coisa errada agora a gente vai mais fundo pra pegar”, aponta.

PR fecha com Bolsonaro e Maia
Partido do prefeito e vice-prefeito de Pindamonhangaba, Isael e Piorino, o PR (Partido da República) fechou apoio formal ao governo de Jair Bolsonaro. A legenda declarou ainda, mais recentemente, que votará com Rodrigo Maia (DEM) para a presidência da Câmara. Os vereadores do PR de São Paulo também entregaram os votos na nefasta reforma da previdência na capital, a Sampaprev. Histórica legenda governista e de centro, o PR deu aquela guinada à direita, flertando até mesmo com a extrema-direita. Antes, ainda sob Temer, seus deputados entregaram votos na aprovação do Teto dos Gastos e na Reforma Trabalhista. Então, nenhuma novidade…

Falando em Bolsonaro…
O prefeito Isael citou o presidente em entrevista recente ao Portal Agora Vale. Ao destacar o projeto que cria a Guarda Civil Metropolitana armada em Pinda, o prefeito afirmou que a guarda terá poder de polícia e irá receber um treinamento da PM para o uso de armas. Disse ainda que os equipamentos serão conseguidos via requisição junto ao Ministério de Justiça, como uniformes e coletes. “A bola tá pingando e agora, com o governo Bolsonaro, que irá fazer uma exigência maior da segurança, eu acredito que é o ano que a Guarda vai explodir, no sentido de melhorias.” Em uma cidade na qual 80% votou em Bolsonaro, o discurso de Isael tem bom alcance.

Reforma I
Após conseguir aprovar as reformas organizacional e administrativa da prefeitura, a gestão municipal iniciou a composição da equipe para os dois últimos anos do atual ciclo. Primeiro exonerou todo mundo, depois iniciou as recontratações e os ajustes.

Reforma II
Para cumprir os apontamentos da mais recente ADIN, que foi mais dura do que as anteriores, os cargos de diretoria e chefia ficaram reservados a servidores públicos – os critérios de escolha, porém, não foram explicados ou detalhados. De novidade no ajuste da máquina, criou 13 cargos de secretário adjunto – o novo 2º escalão – e 35 cargos de assessoramento. Esses cargos, de livre provimento, 20% também foram reservados a servidores públicos.

Reforma III
Entre os secretários, poucas foram as novidades, salvo a criação da Secretaria de Turismo e Cultura, que terá Alcemir Palma como secretário e Ana Lúcia como secretária adjunta; a secretaria de Assistência Social, para a qual foi nomeada a então diretora da área, Ana Paula de Almeida Miranda; e a secretaria de Meio Ambiente, que deve ser liderada pela engenheira Ambientalista e sanitarista Maria Eduarda San Martin, conforme noticiou o blog nesta quinta (10) – aqui.

Reforma IV
Na justificativa do projeto enviado à Câmara, o poder executivo fala em um acréscimo de R$ 7 milhões/ano com o gasto com pessoal – garante, porém, que ainda assim o gasto “permanecerá abaixo do limite legal e prudencial”. Em contato com o blog, o setor de Comunicação da prefeitura afirmou que os números ainda estão sendo fechados, mas que o impacto não chegará aos R$ 7 milhões.

Reforma V
Alguns nomes que ocupavam cargos de 2º escalão até então (diretores) tiveram que ser realocados em cargos de assessoramento ou foram ao posto de secretários e secretárias ou de adjunto. Na outra ponta, nomes que estavam fora da máquina foram trazidos, mesmo no limitado grupo de cargos de indicação política externa à máquina – cerca de 40. Tudo para tentar garantir a fluidez da gestão nos próximos dois anos.

Bastidores da reforma
Segundo informações que circulam nos bastidores da política, alguns vereadores mais próximos ao prédio de vidro não ficaram nada satisfeitos com a postura de determinados ocupantes da atual gestão durante as últimas votações na Câmara. O que era para ser defesa de um projeto, virou “baderna”. Chegaram a apontar ao prefeito os mais afoitos.

Bastidores da reforma II
Ex-gestão João Ribeiro e até então diretor de Habitação do governo Isael Domingues, o nome de Alvaro Staut Neto deve ficar de fora da segunda metade do governo. Nos bastidores dizem que Álvaro não ficou feliz, mas estaria conformado.

Futuros orçamentos
O blog já solicitou à gestão atual e aguarda os dados dos orçamentos que irão estar à disposição das novas pastas: Turismo/Cultura, Assistência Social e Meio Ambiente.

Gabinete do futuro presidente
A Câmara de Pinda está em recesso, mas um gabinete anda frequentado: o do presidente Felipe César. E não estou falando do gabinete dentro do prédio do Legislativo. É a varanda de sua própria casa, que início de noite é comum virar encontro e bate-papo de política e de alguns políticos, inclusive. “Antes eram duas ou três pessoas, agora tem dia que colocam até cadeira na calçada”, diz um interlocutor. O vice Piorino já passou por lá.

Está calor pra você?
O editor deste blog foi almoçar nesta quinta (10) em um restaurante na zona rural de Pindamonhangaba, próximo à igrejinha Santa Rita, no bairro Bom Sucesso. Por volta das 12h45, um casal de idosos chegou ao ponto de ônibus – o relógio batia quase 14h e o casal seguia lá à espera do coletivo. Detalhe, o ponto de ônibus é uma estaca fincada no chão com a placa pregada – não há cobertura, quiçá banco. Transporte coletivo, este, que segue com contrato vencido, com a última licitação realizada em 2004, e passagem de R$ 4,40. Como sugestão, antes da licitação do transporte, a gestão municipal poderia distribuir cadeiras de praia, guarda-sóis, protetor solar e moringa aos usuários do transporte. Brincadeiras de lado, bastaria à gestão e à empresa responsável respeito aos munícipes.

Em alta
Alcemir Palma foi confirmado como secretário de Turismo e Cultura de Pindamonhangaba. Nome técnico vindo de São José dos Campos e fora do núcleo político da cidade e de Isael e cia, Alcemir conseguiu consolidar-se à frente da Cultura. Para alguns, os desafios começam de fato agora. Será preciso ter o domínio da nova pasta de Turismo e Cultura, conter o envolvimento muitas vezes questionável da vereadora Gislene Cardoso na área de Turismo e ainda administrar rusgas antigas que envolvem nomes da equipe da nova pasta.

Em baixa
Confirmando-se a vinda de Padre Afonso para assumir a Paróquia do Santana, em Pinda, o clima político tende a esquentar. Nas redes sociais, a vinda do padre para Pinda já é vista pelo viés político e recebe críticas. Alguns acreditam que, deputado estadual por 20 anos, Padre Afonso não vai largar a política. E 2020 está aí! Certa vez, o articulista deste blog dirigiu uma pergunta ao Padre, lá pelos idos de 2008. “O senhor seguirá na política em 2010?”. Eis a resposta: “Se o bispo pedir para eu não sair candidato, posso até pensar; se ele exigir que eu não seja candidato, então serei candidato novamente.”