>> Ricardo Piorino reedita “tropa de elite”, dá um nó em sessão da Câmara e leva Isael para acompanhar de perto num certeiro recado para os próximos dois anos

Em artigo escrito aqui no blog em outubro de 2016, “Eleições 2016: nasce uma nova política em Pinda?”, logo após o pleito eleitoral que deu a vitória a Isael Domingues, a seguinte frase fechava o texto: “Nessa engrenagem toda, atuando no papel de chave de giro, que pode tanto colocar a máquina para funcionar como ocasionar fissuras, está o vice Ricardo Piorino. Este senta-se à mesa com todos – o prato servido será sempre apreciado pelos convivas; no momento de flambar, no entanto, muitas vezes o fogo termina em incêndio.” (o artigo completo está aqui, mas continuemos no texto atual…)

Contextualizando

No mesmo partido do então prefeito João Ribeiro, o PPS, o ainda vereador Ricardo Piorino foi voto decisivo para fazer Jânio Lerário, um líder da oposição ao governo JR, presidente da Câmara de Pinda no biênio 2007-2008. Dois anos depois, Jânio retribuiria a honraria articulando a mesma oposição para fazer Piorino, ainda no mesmo PPS de João, o presidente da Câmara no biênio 2011-2012 (tem a história contada aqui). Quanto o que esses biênios representaram para o poder executivo na época não preciso ir muito longe: CEIs (merenda, matrizes leiteiras, Trabiju, IPTU…), narrativa pesada, jogo de pressão…

O biênio 2011-2012 ficou ainda marcado pela forte união do núcleo duro do Legislativo, com o comando de Jânio e com atores como José Carlos Gomes Cal, Martim César e o próprio Ricardo Piorino, então na presidência, que até a clássica trilha sonora do filme Tropa de Elite colocou para tocar no início de algumas sessões no plenário da Câmara. O grupo contava ainda com Isael Domingues e Abdala Salomão – esses, porém, mais orgânicos.

Do outro lado, os poucos combativos Dr. Marco Aurélio, Dona Geni, Dr. Jair, Alexandre Faria – dois perderiam a reeleição em 2012 e um nem sairia candidato.

Avançando no tempo

Os anos passaram e, uma década depois, quem continua dando as cartas são os mesmos nomes, com uma alteração aqui, outra ali. Felipe César, por exemplo, que ficou fora da Legislatura 2009-2012, voltou ao campo de jogo da Casa Legislativa a partir de 2013 sem ter perdido os meandros da articulação política – em oito anos, a serem completados em 2020, terá ocupado a cadeira de presidente em quatro.

Em sua nova vitória, na semana passada, Felipe César contou novamente com a forte articulação dos medalhões (aqui). Em entrevista a rádio Ótima FM, Ricardo Piorino negou predileção por FC, mas sua presença nos bastidores foi forte na articulação para a vitória de um dos decanos do Legislativo.

Ausente da articulação política entre Executivo e Legislativo nos últimos meses, como o mesmo assumiu na entrevista à jornalista Aline Bernardes, Piorino voltou publicamente ao campo de jogo. Porém, retomando o início do texto, deixou de lado o flambar e partiu para o incêndio.

Sobre a reforma administrativa

Tudo articulado para ser adiada por uma semana, a reforma administrativa proposta pelo Executivo passou em sessão tumultuada na noite desta segunda (10). E tudo saiu dentro do script, como deveria ser no fim da noite: em chamas. Começou com a inversão da ordem do Dia, analisada antes da discussão dos requerimentos, a pedido de Jânio, sem uma justificativa concreta.

Secretários da prefeitura dentro do plenário da Câmara, gesticulando e falando alto de cima da galeria popular, o vice e articulador político ao telefone. Então, o pedido de votação nominal pelo adiamento partiu de Toninho da Farmácia, sustentado por Jânio. Cinco a cinco no plenário – a favor do adiamento alegando necessidades de correções no projeto: Rafael Goffi, Roderley Miotto, Renato Cebola, Ronaldo Pipas e Professor Osvaldo; contra o adiamento: Felipe César, Jânio, Toninho da Farmácia, Jorge da Farmácia e Gislene Cardoso. Coube ao presidente Carlos de Moura Magrão decidir: foi contra o adiamento.

Em votação, o projeto passou a ser discutido até que o prefeito Isael debruçou o corpo sobre a grade e passou a aplaudir os vereadores que defendiam o projeto – e assim seria na votação das demais matérias da noite, postado atrás da tribuna, como a doação de terrenos para empresas e o empréstimo de R$ 8 milhões da Caixa. De forma pública, Isael colocou-se exposto ao artigo 67 de Lei Orgânica, que trata dos crimes de responsabilidade do prefeito, entre eles atentar contra “II – o livre exercício do Poder Legislativo”.

Mesmo placar de plenário na votação do projeto e novamente o voto de minerva de Magrão, que corriqueiramente repreende munícipes de se manifestarem, mas nada fez com os representantes do executivo, garantiu a aprovação da nova estrutura organizacional da prefeitura.

Uma vitória administrativa da gestão, uma derrota política monstruosa para o que se propunha Isael em determinado momento de sua trajetória. Por ora ainda não se pode avaliar os efeitos. Fato mesmo é que o jantar, ao terminar em chamas, aquece alguns; queima outros.

Répondez S’il Vous Plait – RSVP (responda, por favor)

O convite ao baile chegou a inúmeros endereços, em um deles a resposta à abreviatura RSVP foi: “confirmo”. Assinado: Vito Ardito Lerário.