>>> O blog analisou os cenários de 25 estados e do distrito federal nas eleições presidenciais de 2002, 2006, 2010 e 2014, projetou as votações para 2018 tendo como base a tendência captada pelas pesquisas;

>>> Veja o comportamento do eleitorado brasileiros nos últimos anos;

>>> Números mostram que Bolsonaro e Haddad podem chegar ao segundo turno com o primeiro fazendo de 37 a 42 milhões dos votos válidos e o petista somando de 27 a 32 milhões dos votos.

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Como em 2014, quando trouxe minucioso levantamento das últimas pesquisas às vésperas do primeiro turno, o blog foi um pouco mais afundo desta vez para tentar decifrar o complexo cenário projetado para o primeiro turno das eleições de 2018, que será disputado neste domingo (7). Abaixo, uma explicação de como funcionou o levantamento, as nuances que precisam ser consideradas no processo eleitoral deste ano e, na sequência, os números calculados para o primeiro turno da corrida presidencial, além das tabelas estado a estado.

Importante ressaltar que este artigo não tem a pretensão de acertar o resultado das urnas, nem está baseado em um método científico para este fim. Visa apenas projetar o cenário com base no histórico dos resultados presidenciais em cada estado nas últimas eleições, desde 2002, somando-se a isso as tendências apontadas pelas pesquisas Ibope segmentada por estado e os últimos movimentos identificados nos três dias finais do primeiro turno. Vamos lá?

1) Como foi feita essa análise?

Passo 1: o blog fez um levantamento dos resultados eleitorais para presidente nos 26 estados e no Distrito Federal nas últimas quatro disputas de primeiro turno (2002, 2006, 2010, 2010).

Passo 2: Na formatação da tabela, foi considerado o cenário de polarização entre PSDB e PT nos últimos pleitos. A tabela, portanto, traz os votos conquistas pelo PT (Lula ou Dilma) + votos do PSDB (Serra, Alckmin e Aécio) + votos dos demais adversário em cada disputa. Há ainda informações do número de eleitores de cada estado nos respectivos anos, quantos compareceram às urnas, quantidades de brancos e nulos e, certamente, os votos válidos.

Passo 3: Na quinta coluna (projeção de 2018) da tabela vai surgir a projeção dos resultados para 2018, estado a estado. As primeiras providências foram levantar os números de eleitores em cada estado e, com base numa porcentagem média de comparecimento às urnas e de votos brancos e nulos nos anos anteriores, calcular as expectativas para 2018.

Passo 4: Ainda sobre a coluna 5 (projeção de 2018), devido a mudança dos polos de disputa, as linhas antes destinadas às votações do PSDB passam a calcular a projeção de votos no candidato Jair Bolsonaro.

Passo 5: Por fim, o blog analisou as últimas pesquisas divulgadas pelo Ibope estado a estado, que mostra a tendências de votação e performance dos presidenciais em cada um desses estados. Chegando a estimativa de porcentagem de votos válidos para cada concorrente, foi possível estimar o que vem neste 7 de outubro.

2) Dados a serem considerados:

  1. O Tribunal Superior Eleitoral divulgou que neste ano são pouco mais de 147 milhões de eleitores no Brasil.
  2. O Ibope não fez pesquisa no estado do Espírito Santo, então buscando ser o mais fiel possível aos resultados, o blog deixou o ES sem entrar na conta desta análise;
  3. Recentemente, o STF desautorizou 3,3 milhões de eleitores de votarem devido ao não cadastro biométrico. O blog, então, calculou as regiões mais afetadas pela medida e fez uma redução da projeção de votos válidos;
  4. Se a eleição de 2018 superar a margem dos 104 milhões de votos válidos do 1º turno de 2014 (algo muito provável), um candidato para vencer no primeiro turno precisaria superar a casa dos 52 milhões de votos;
  5. No segundo turno de 2014, quando a direita e o eleitorado anti-petista obteve o melhor resultado desde que o Partido dos Trabalhadores chegou ao poder, em 2002, foram 51 milhões de votos somados por Aécio; Dilma Rousseff obteve 54,5 milhões.

3) Cenários por região/estado

Norte

7 estados: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantis

Total de eleitores: 11,3 milhões
Votos Válidos: 9 milhões
Haddad: 1,9 milhões
Bolsonaro: 3,3 milhões
Outros: 2,6 milhões

Centro Oeste

3 estados (Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul) e Distrito Federal

Total de eleitores: 10,5 milhões
Votos Válidos: 8,3 milhões
Haddad: 1,6 milhões
Bolsonaro: 3,6 milhões
Outros: 2 milhões

Sul

3 estados: Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul

Total de eleitores: 21,2 milhões
Votos Válidos: 17 milhões
Haddad: 3,1 milhões
Bolsonaro: 7 milhões
Outros: 4,2 milhões

Sudeste

4 estados: Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santos* (ES sem análise para 2018 devido a falta de pesquisas para indicar tendência)

Total de eleitores: 64,8 milhões
Votos Válidos: 48,6 milhões
Haddad: 8,7 milhões
Bolsonaro: 17 milhões
Outros: 12,4 milhões

Nordeste

9 Estados: Alagoas, Pernambuco, Maranhão, Ceará, Bahia, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe

Total de eleitores: 38,2 milhões
Votos Válidos: 28,4 milhões
Haddad: 11,4 milhões
Bolsonaro: 5,4 milhões
Outros: 7 milhões

A tabela completa do levantamento estado a estado pode ser conferida neste pdf: Levantamento_Estado a Estado_2002 a 2014

3) O que dizem as somas dos números acima?

Total de eleitores no Brasil: 145 milhões (*excluindo o Espírito Santo)

Votos válidos previstos pelo blog: 111 milhões de votos válidos (*esse número deve chegar mais próximo dos 108 milhões previstos devido ao cancelamento de 3,3 milhões de títulos)

Votos projetados para o PT/Haddad neste domingo (7): 27 milhões (fica entre 27 e 32 milhões, considerando os movimentos dos três dias finais e as tendências apresentadas nos gráficos das pesquisas)

Votos projetados para Bolsonaro neste domingo (7): 37 milhões (fica entre 37 milhões e 42 milhões, considerando os movimentos dos três dias finais e as tendências apresentadas nos gráficos das pesquisas)

Soma dos votos projetados nos demais candidatos considerados fortes (Ciro, Alckmin e Marina): 30 milhões (a variação de Haddad e Bolsonaro pode impactar neste número)

Restante (indecisos + demais candidaturas): 17 milhões (a variação de Haddad e Bolsonaro pode impactar neste número)

5) Conclusões

  1. A migração de votos em Bolsonaro nos últimos dias revela a antecipação de um cenário de segundo turno ainda dentro do primeiro; Haddad não cresce tanto segurado pela resiliência, especialmente, dos votos de Ciro Gomes.
  2. Para conseguir vencer no primeiro turno, Bolsonaro precisaria de ao menos mais 10 milhões de votos, precisando buscar isso num campo de margem estreita dos demais candidatos mais alinhados à direita (grande parte do voto útil já migrou para ele); sua rejeição, no entanto, pode indicar que tenha alcançado algo próximo do teto em um cenário no qual o eleitor até pode considerar o voto útil, mas ainda tem opções a escolher;
  3. Outra possibilidade de Bolsonaro vencer no primeiro turno, sem precisar aumentar muito mais a sua votação, seria uma queda grande de votos válidos, que observando as últimas eleições isso não deve ocorrer com tanto força – houve sempre aumento de eleição em eleição, portanto o piso de votos válidos hoje no Brasil seria algo em torno de 104 milhões de votos. Sendo assim, Bolsonaro precisaria mesmo superar 52 milhões de votos;
  4. Em 1998, FHC foi eleito no primeiro turno tendo obtido 43% dos votos totais. Porém, como o índice de brancos e nulos foi de 18%, em votos válidos FHC chegou a 53% e venceu no primeiro turno (algo semelhante ocorreu em 2016, na disputa pela prefeitura de São Paulo entre Dória e Haddad). Em 2006, como comparação, Lula conseguiu 44% dos votos totais (ou seja, mais do que FCH em 1998), mas os votos nulos e brancos foram de apenas 8% (mais perto de uma realidade mais constante). Assim, nos votos válidos, Lula obteve 48%, provocando segundo turno.
  5. As últimas pesquisas nacionais apontam que Bolsonaro está próximo ou superando a casa dos 40% de votos válidos; a título de curiosidade e comparação, às vésperas do 1º turno de 2014 Dilma aparecia com 46% dos votos válidos nas pesquisas e Lula, em 2002 e 2006, tinha 48% das intenções de votos válidos às portas da primeira rodada das eleições. Nos três casos houve segundo turno;
  6. A título de curiosidade, dos 30 milhões de votos concentrados em Ciro, Alckmin e Marina, com base nas pesquisas mais recentes, Ciro deve girar em torno de 15 a 18 milhões, Alckmin de 10 a 12 milhões e Marina de 4 a 6 milhões.