Em pouco mais de uma hora, Bolsonaro conseguiu o feito de demonstrar colossal ignorância; e mesmo sabendo que ele atende a um propósito ideológico específico, eu não consegui sair do fim do programa sem acreditar que ele tenha alguma espécie severa de retardo mental (ele não conseguiu articular frases adequadas com algum sentido e agia feito seus próprios eleitores quando questionado, isto é, seguia tergiversando contrariado, balbuciando frases incompletas, agressivas, sem sentido e aumentando o tom de voz para acabar o assunto).

Foi um dos momentos mais vergonhosos da história do programa que já entrevistou nosso mestre István Mészáros.

Houve defesa de Brilhante Ustra, o torturador da ditadura; afirmações sobre cotas no nível “eu não escravizei ninguém, não sei de que escravidão estão falando”; contradições das mais severas sobre o trabalhador rural, dizendo que eles têm direitos demais e “não deveriam parar no feriado!”; teve a leitura de um verbete de wikipedia no qual há um relatório militar determinando o afastamento de Bolsonaro por problemas mentais e nível de inteligência subnormal e ele não soube fazer outra coisa senão dizer que o relatório era verdadeiro, que ele tinha dificuldades cognitivas mesmo (isso ficou óbvio para todo espectador acima de 5 anos de idade). Questionado sobre como resolver as questões da saúde e da mortalidade infantil, ele culpou a mulher que não cuida direito do seu “sistema urinário”; e quando questionado novamente, não sabia o que dizer, perdeu o controle, agiu com grosseria, desnudou todo o seu substrato encefálico desfavorecido.

Se não fosse muito preocupante um cara deste porte estar bem colocado nas pesquisas dizendo barbaridades misóginas e racistas, adulterando a história dizendo que “a culpa da escravidão é dos negros, já que nenhum português pisava na África”, o programa de ontem seria engraçado. Mas não foi engraçado, foi um ultraje ao povo brasileiro, uma desonra tão robusta e assustadora quanto a existência de navios negreiros.

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