>>> Por André Alvarenga (especial para o blog Papo Sem Censura)

O pensamento do filósofo brasileiro José Chasin – no ano em que se atinge a marca de 20 anos de seu falecimento – continua atual. O descontentamento social perante o governo de Michel Temer – marcado nas duas últimas semanas pela greve dos caminhoneiros em todo o país – vai além do pueril voluntarismo que está sendo pregado pelos setores intelectuais – inclusive da esquerda.

Essa crise dita como política e/ou moral do governo brasileiro, na análise chasiniana, é apenas reflexo de uma crise estrutural, do que chamou o filósofo húngaro, István Mészàros, de sistema sócio-metabólico do capital. Fundamentado nas análises de Mészàros e, sobretudo de Karl Marx, Chasin apontava trinta anos atrás a crise sistêmica do capital financeiro e do capital coletivo/não-social. Como defensor do resgate ontológico do pensamento marxiano, o pensador brasileiro partiu dessa crise estrutural para compreender a redemocratização no Brasil sob a ótica da teoria da via colonial do capital atrófico. De acordo com Chasin, isso significa que o capital brasileiro é fruto de uma burguesia incapaz de realizar sua própria revolução, dando espaço a uma esquerda desorientada, que busca a todo instante promover a incompletável tarefa iluminista no país.

Neste sentido, a redemocratização no país se tornou uma falácia da autocracia bonapartista burguesa, afinal, com a queda do capital coletivo/não social na URSS, a mundialização do capital financeiro se expandiu a ponto de fazer com que a própria burguesia brasileira encerrasse a via colonial de seu capital atrofiado, assumindo definitivamente sua posição submissa ao mercado mundial.  Mercado mundial que, no ano de 2008, mostrou indícios de seu colapso, no estouro da bolha imobiliária estadunidense. Estouro que chegou ao Brasil anos mais tarde e obrigou a burguesia brasileira a coordenar um golpe parlamentar para manter sua taxa de mais-valor e sua posição na hierarquia mundial do capital.

O primeiro pleito presidencial pós-golpe de 2016 se aproxima sob os olhares dos trabalhadores que, mergulhados em um retrocesso social sem precedentes, não enxergam outras possibilidades senão aderir ao locaute patronal. Desta forma, cabe aos setores da esquerda brasileira ter consciência-prática diante da realidade que está sendo desvelada para que não continue fadada à maldita herança do ventre nebuloso de um capital atrofiado no Brasil.

Foto: Natália Gregori