Por Giovanni Romão

Em 2004, pela última vez nas urnas, um partido dos campos progressistas e de esquerda conseguiu fazer cadeira na Câmara de Pinda. Estou falando do PT, que naquele ano conquistou dois assentos. Adeptos ao fisiologismo, porém, Felipe César e Tié deixariam o partido no meio da legislatura, desencadeando inclusive uma disputa judicial, que por um período colocaria Carlinhos Casé, então suplente de Felipe, na cadeira parlamentar.

De lá para cá – diria que nem naquele período 2004-2008, pois havia uma subrepresentatividade ideológico na figura dos eleitos –, a esquerda desconhece os campos institucionais do poder em Pindamonhangaba. É verdade que, de 2008 a 2012, houve a composição do próprio PT com a reeleição de João Ribeiro, do PPS, mas no que tange a atuação de ideias construtivas dos setores progressistas em nada registramos avanços. Ainda em 2008, Carlinhos Casé havia alcançado uma boa votação a vereador, pelo PT, ao somar 1.179, ficando fora apenas no quociente eleitoral.

No meio desse limbo, em 2012, após Torino virar às costas para o PT na reta final da composição eleitoral, houve a campanha relâmpago de Carlinhos Casé a prefeito. Não há como negar que foi até um bom resultado, vide o contexto, com o petista obtendo 7.413 votos, ou 9,29% do total – o vice era o hoje presidente do PT, Herivelto Vela. Mais do que o resultado em si, recordo-me de um encontro com a cúpula da campanha na saída da última carreata antes da eleição. Era um clima de otimismo pulsante, aquela coisa bem de petista mesmo, de militância acirrada. A vitória da Vito era dada como certa àquela altura, mas havia um sentimento de dever cumprido, de nascer ali uma oposição fortalecida, uma alternativa real de esquerda talvez…

Nessa mesma eleição, o PDT fez duas cadeiras, com Toninho da Farmácia e Ricardo Piorino, mas caímos no mesmo problema da pobre representatividade ideológica. Aliás, ambos já deixaram o PDT e encontram-se, hoje, em partidos dos campos de direita e do centro: PSDB e PR.

Então veio a eleição de 2014, novamente Casé como essa liderança de esquerda, ainda no PT. Ao olharmos com atenção ao resultado, e poucos tem essa sensibilidade, talvez até o próprio Casé – caso contrário teria sustentado suas bases –, dentro de Pinda o candidato petista foi o mais bem votado a deputado Estadual, atingindo 9.541 votos, ou 13,93%, superando nomes como Padre Afonso, que somou 6.323 (9,23%), e Fernando Capez, com 6.155 (8,98%) – este com a máquina de Vito Ardito, então prefeito, nas mãos. A título de curiosidade, candidatos a deputado federal na mesma eleição, Isael, hoje prefeito, obteve em Pinda 20.033, ou seja, pouco mais do que o dobro de Casé, e Rafael Goffi, hoje vereador, somou 8.825, menos votos do que Casé.

Definitivamente, Casé saia daquela eleição, no mínimo, como uma liderança forte para buscar uma vaga na Câmara da cidade dois anos depois. Dependendo da composição, e tivesse sustentado pouco mais de 10% dos votos a deputado, estaria eleito. No meio desse caminho, Casé deixou o PT e migrou para o PV, pelo qual saiu candidato a vereador na eleição de 2016 e obteve 907 – faltou, certamente, a base de militância para superar a casa dos mil votos como fizera em 2008, inclusive, ainda candidato a vereador.

Na mesma eleição de 2016, os setores de esquerda de Pinda viram (espero!) o fundo do poço da representatividade institucional em uma corrida eleitoral. Não fosse a candidatura isolada do PSOL, a eleição em Pinda passaria apática na narrativa dos campos progressistas – em um ano de uma necessária contraposição ideológica dado o contexto nacional e a queda Dilma Rousseff –  e, ao olharmos o resultado, a melhor votação para vereador foi a do candidato Renato Mamão, representante sindical do PT, que obteve 542 votos – apenas o 41º na escala de votação. A esquerda definhou nos campos institucionais, definitivamente.

Entramos em 2018 e, por ora, estão postas as possibilidades de candidaturas de Vela pelo PT e de Wilton Moreno Carteiro pelo PSOL.

Fora essa disputada eleitoral, a esquerda partidária de Pindamonhangaba está acomodada no que diz respeito à mobilização de base, com um olhar muito fechado às questões nacionais – legítimas e fundamentais, é fato, mas como também são os assuntos locais, como saúde pública, transporte coletivo e a criação e o aumento descabido de impostos sem que haja por trás uma política pública sustentável.

Enquanto Isael encontra certa facilidade para governar junto à Câmara, a oposição fora dos campos institucionais é feita, em partes, por pessoas ligadas ou simpatizantes de partidos de direita. Os motivos dessa oposição podem até fugir do debate ideológico, mas, ao olharmos para esse diálogo, a esquerda enquanto composição política ainda não apresentou a tréplica; quiçá, nem a réplica.

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