Por Rafael Persan

Em recente entrevista ao Programa Encontro, da Fátima Bernardes, a cantora Pabllo Vittar disse que gostaria de viver todxs as Pabllos que pudesse, sendo loira, morena, ruiva, careca, de shorts, de vestido, com peruca, sem peruca, de qualquer jeito. Isso reflete muito na sua identidade de gênero fluida, que permeia entre masculino e feminino e vai além do seu trabalho como drag queen – vocês lembram a diferença entre identidade de gênero e orientação sexual, né? Se não, veja aqui antes de seguir. Mas enfim, você sabe o que é gênero fluido?

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Pabllo Vittar, Hugo Nasck e Asia Kate Dillon são artistas que dão luz a pauta do não-binarismo na sociedade

Gênero fluido ou genderqueer ou não-binário são os termos utilizados para pessoas que não se identificam exclusivamente com um gênero imposto pela sociedade, ou seja, ela não se percebe nem como homem e nem como mulher, fugindo totalmente a regra dos padrões binários estabelecidos. Dessa forma, a liberdade para experimentar e combinar elementos comportamentais é amplamente explorada.

Partindo do pressuposto que gênero não tem nada a ver com pepeca e piroca, muito menos com a ordem dos cromossomos, entende-se que você pode se apresentar da maneira como quiser, afinal, gênero é expressão e identidade. Mas por quê isso? Bom, se o homem pode ser feminino e a mulher pode ser masculina, que mal tem em misturar os dois ou ser o oposto disso tudo?

Pensa que seu corpo é uma tela em branco e que você pode colocar nela o que bem entender, compondo o seu estilo com vários elementos para se identificar. Por isso, se expresse como quiser, do jeito que for, desde que você se sinta bem consigo mesmo. Também é bom lembrar que o gênero não é instável e que você pode estar em constante desconstrução. Descubra-se e assuma sempre a sua própria natureza, mesmo que ela seja fora dos padrões normativos.

Ah, muito importante lembrar: gênero não tem nada a ver com orientação sexual, ou seja, você pode ser não-binário heterossexual ou gênero fluido homossexual ou genderqueer bissexual. Não importa, pois o que vale é não se prender aos padrões estabelecidos. O ser humano é complexo e multicultural, por isso, não tenta colocar cada pokémon numa pokebola. Seja livre!

Outra coisa: o não-binário é considerado um terceiro gênero e está fora do guarda-chuva de pessoas transgênero, que seguem os padrões binários (homem ou mulher), existindo assim, os homens trans e as mulheres trans. No caso das pessoas não-binárias, essa classificação não é válida.

E como devo chamá-los?

Em geral, as pessoas não-binárias preferem ser chamadas do jeito que se sentem mais confortáveis. Se o indivíduo te disser, por exemplo, para você chamá-la no feminino, fale ela; no masculino, fale ele; de forma neutra, diga elxs ou qualquer outro pronome não-binário, que é quase impossível porque o português é patriarcal – já no inglês você pode usar “they” ou “them”.

Aliás, o gênero é criado através de uma construção social e não pela normatividade biológica. Para compô-lo, existem os aspectos psíquicos e subjetivos, além da vivência de cada um. No mais, por conta do machismo, a gente é sempre condicionado a enveredar por um caminho. Mas lembre-se: azul não é cor de menino, nem rosa é de menina. E por mais que a gente seja podado desde o momento em que nascemos, não podemos nos levar pelo padrão. A beleza necessita ser de dentro para fora e tem que ser reflexo do que sentimos, não deixando o mundo ditar o que é bonito e aceitável.

E as referências?

Tudo nesta vida é referência. Por isso, conheça algumas figuras públicas que se identificam com o gênero neutro e debatem sobre o assunto:

– Rapper paulista Triz fala sobre o não-binarismo na linda e forte “Elevação Mental”

– O maior fenômeno pop da atualidade, Pabllo Vittar, se declara gênero fluido em entrevista a Capricho

– Hugo Nasck é o maior youtuber não-binário brasileiro e conta suas experiências como gênero neutro em seu canal

– Jaloo é uma explosão de referências brasileiras e também é não-binário. Ouça “Insight”

– Asia Kate Dillon, que é não-binário, pode escolher em qual categoria ia concorrer no Emmy Awards 2017

Por fim, aproveite todas as experiências estéticas e nuances que você enxerga de si próprio. Não leve em consideração as seções impostas pelas lojas de departamentos, pois tudo é tecido, tudo é roupa e não tem essa de seção masculina ou seção feminina. Existe pano. Existe livre arbítrio. Existe boleto para pagar depois, então, se você tiver condições, se joga.

> Perfil Rafael Persan: “Você sabe quem são as pessoas LGBTQ? Então, esse espaço vai te ajudar a entender as pautas debatidas por um grupo de pessoas que busca inclusão, respeito e um bom produto produto para não deixar a pele oleosa.”

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