Por Giovanni Romão

Em abril deste ano, na primeira ação de contingenciamento de recursos federais tendo como foco cumprir a meta deficitária para 2017, o governo federal anunciou um corte de 67,96% do orçamento previsto para o Ministério do Turismo. Isso reduziu em R$ 321,6 milhões os valores federais previstos para o setor no ano, definhando a pasta de R$ 473,2 milhões para R$ 151,5 milhões.

Uma semana atrás, no dia 16 de julho, o mesmo governo federal anunciou novo contingenciamento de despesas no ano, sendo que nessa leva o Ministério da Cultura entrou com o pescoço na guilhotina, sofrendo um corte de 43% – orçamento reduzido de R$ 721 milhões para R$ 412 milhões. O mesmo ministério que em 2016 ouviu a promessa de injeção de 40% no orçamento para 2017. Recebeu 40% de aumento e, com o espetáculo em curso, perdeu 43%.

Os cortes, certamente, afetam projetos já em andamento ligados a essas duas áreas, assim como possíveis novas iniciativas previstas dentro do que havia sido projetado no fim de 2016 para o ano corrente.

E foi sobre essas duas áreas, que juntas sofreram um corte de mais de 100% em 4 meses, que o presidente Michel Temer disse que irá ordenar que resolvam o problema financeiro do carnaval do Rio. Resolva o problema do carnaval do Rio e deixar a ver navios outros projetos desse setor?! Está faltando fechar essa conta. Falta entender os precedentes que isso abre com relação a outras ligadas, não somente no Rio, mas em outros estados. E não estou entrando nos méritos da grandiosidade do carnaval carioca, do qual sou fã e assisto categoricamente todos os anos na Sapucaí.

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Em reunião de 30 minutos realizada nesta terça (25) em Brasília, representantes da gestão do carnaval carioca, ou ligados à festa, sentaram com Temer. Em  30 minutos conseguiram falar sobre a importância histórica do carnaval do Rio. Em 30 minutos descreveram a grandiosidade e a relevância da festa – tanto como patrimônio cultural quanto para a economia local. Em 30 minutos convenceram Temer a abrir o mutilado cofre federal para ajudar as 13 agremiações do grupo especial.

A promessa? R$ 13 milhões em repasse – justamente o valor que a prefeitura do Rio cortou. Crivella, aliado de Temer, prometeu oficialmente colaborar em repor o valor por meio do apoio da iniciativa privada. Nos bastidores, buscou outros caminhos, certamente.

Hoje, dia 25 de julho, o “seleto grupo” de representantes do carnaval que foi a Brasília vibra com as promessas de Temer ao fim da reunião de 30 minutos. Chegaram a convidá-lo para assistir aos desfiles na Sapucaí em 2018.

Tão envolvidos com as referências e as alusões que a concepção do carnaval (e o próprio mundo do samba) oferece, parece faltar a essas senhoras e a esses senhores do “seleto grupo” maior sensibilidade à simbologia do momento do qual participaram; e, além de tudo, do qual foram transformados em coadjuvantes.

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