labirinto2

Escrevi recentemente, em 11 de março, o artigo de opinião “Isael precisa reencontrar-se com Isael”. Nele, busquei traçar um perfil de atuação do hoje prefeito Isael Domingues desde os tempos de legislativo – ele foi vereador de 2009 a 2012. Não creio que o hoje chefe do executivo conseguirá resgatar em sua totalidade aquela característica de independência que demonstrava na vida legislativa, visto que hoje articula com diversas frentes políticas, tanto da cidade quanto de outras esferas. Equalizar todos os pontos não é tarefa fácil, certamente. Mas o desafio está posto.

Nessa toada, por exemplo, tivemos o aumento da passagem de ônibus – 11% de reajustes, 0,40 centavos a mais no bolso do contribuinte. A bola do reajuste vinha sendo cantada nos bastidores da política desde o fim da eleição – não muito absurdo saber que o gerente da empresa responsável pelo transporte estava presente na coletiva de imprensa na qual Isael anunciou seu secretariado, ainda em 2016. Vencer na queda de braço nem sempre será possível… O problema é que a conta, em grande parte, é paga pelo bolso de milhares de usuários de ônibus na cidade, como autônomos, pessoas desempregadas… Aqui cabe salientar o fato de que o reajuste acontece faltando meses para a nova licitação do transporte público.

É sobre queda de braço que traço aqui algumas linhas, para entrar na relação do executivo com o legislativo, em uma semana na qual três vereadores do PR impuseram ao partido de seu prefeito uma derrota em plenário. Falei desse tema na participação que fiz na rádio Ótima FM – está aqui no áudio. Em suma, estava na pauta para ser votado na última segunda (15), um projeto de uma Farmácia Popular, que será via Fundo Social de Solidariedade. A oposição, leia-se Roderley Miotto, lançou antes da sessão um possível pedido de adiamento do projeto por uma semana. Tinha dúvidas sobre a matéria.

Deu-se a instabilidade.

Ausente da Câmara nas últimas semanas, o vice e articulador político do executivo, Ricardo Piorino, partiu para a casa de leis. Levou com ele David Nerosi, que atua no FSS, para explicar o projeto. Ex-assessor do vereador Osvaldo, David tem uma relação de confiança com o parlamentar – estava armada a estratégia. Cabia a Piorino pressionar a base como um todo; David faria a função de explicar a parte técnica – o foco? Osvaldo.

A sessão seguiu tensa, falo sobre isso no áudio. Aberta a votação sobre a matéria, o resultado: 7 votos pelo adiamento; apenas 2 contra. Tirando Toninho da Farmácia e Felipe César, que não eram originalmente da base, o PR (Osvaldo, Pipas e Jorge da Farmácia) entregou três votos contrários ao que pretendia o executivo – engrossaram a panela oposicionista liderada por Roderley Miotto, Rafael Goffi e, até mesmo, Jânio. De postura mais independente, Gislene também foi favorável ao adiamento.

Na terça, fim de tarde, alguns vereadores se reuniram no Fundo Social para discussão do projeto. “Os advogados vão rever algumas cláusulas e devolver ao Fundo Social para adaptações”, disse um parlamentar ao blog. No dia seguinte, Isael e Piorino foram à imprensa – ao jornal da Ótima FM na manhã de quarta. Não negam certa desarticulação na base, mas jogam para a votação de segunda (22) o prato principal a ser servido. Isael defendeu o projeto e se mostrou pasmo em encontrar resistência para aprovar uma iniciativa de cunho social; alega que o projeto terá seu start no Fundo Social e, depois, será tocado sem a presença dessa estrutura; defende que a matéria não irá gerar gastos ao município, mesmo o artigo 5º da lei diga que “as despesas de execução desta lei decorrerão de dotações orçamentárias próprias consignadas no orçamento vigente, estando o Chefe do Executivo a suplementá-las, se necessário”.

O blog conversou neste fim de semana com um vereador e um articulador político sobre o projeto da Farmácia Popular. Com os dois nomes preservados, o primeiro interlocutor destacou que ainda não teve a chance de olhar o projeto alterado. O segundo aposta em uma aprovação por unanimidade. “Talvez o Rafael Goffi mantenha um voto contrário por posicionamento”, avalia.

Independentemente do que ocorra na noite desta segunda (22), enquanto a bancada do governo seguir sem uma figura de liderança, promessas de novos episódios de incertezas e desarticulações seguirão vigentes.