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Aconteceu na noite desta segunda, dia 13, no Teatro Galpão em Pinda, o encontro “Diálogo Cultural”, organizado pela secretaria de Educação e Cultura da cidade. No espaço, além de representantes do poder público, estavam também pessoas do mundo das artes, nos mais variados campos, como música, literatura, teatro, dança; pessoas mais ligadas ao erudito, clássico, e tantas outras a culturas populares. Uma mistura interessante, que ajuda a revelar o ponto em que a cidade se encontra no que tange a cultura e os horizontes à frente.

Este colunista chegou ao Teatro Galpão com o evento em andamento, após acompanhar a sessão de Câmara. Para escrever sobre o tema soma-se não ter acompanhado o evento desde o início o fato de não ser um especialista em cultura; por isso, busquei nos participantes presentes as impressões que ficaram deste Diálogo. Como um entusiasta da participação popular direta na formação de políticas, a ação “Diálogo Cultural” chamou minha atenção.

Por estar elaborando um texto opinativo, com base naquilo que me motiva falar, ou seja, a ocupação de espaço público para o debate sobre política pública, fui ouvir alguns artistas da cidade. “Ninguém , artista,  na verdade, ousa falar mal do encontro…Exatamente com medo de que isso possa acabar. E, queira ou não, é uma esperança”, resume Ademir Pereira, diretor de teatro.

Estamos falando de uma cidade onde a cultura (olha ela aí de novo) do diálogo não existe entre poder público e a sociedade de forma direta. Os Conselhos estão formados, funcionando, cada um no seu nível de desenvolvimento, mas audiências populares, encontros setoriais e canais diretos de fato para a construção de políticas públicas sempre estiveram fora do circuito de ações.

Ator e professor de teatro, Victor Narezi reforça essa linha: “Eu acho que o encontro foi muito importante pra que a atual administração tenha um panorama da produção cultural da cidade. Foi importante para o artista tomar a palavra para reivindicar ações que estavam em andamento e foram interrompidas e, que mesmo sobre um outro olhar, tenham continuidade”, diz. “Os representantes de cada segmento artístico puderam falar de seus projetos e alguns com propriedade falaram sobre a importância da política pública.”

Na visão da produtora cultural, Marília Lemos Maia, o caminho é o amadurecimento do diálogo. “Alguns dizem que cansa [o período de estar reunido], mas realmente acho que faz parte do ônus de ser democrático. Agora é isso: a coisa continua e as pessoas precisam estar unidas e fortes, através do Conselho Municipal de Cultura e também dos pontos de encontro e cultura, que aos poucos vão se auto-fortalecendo”, avalia.

Segundo o diretor de teatro Ademir, “qualquer bate-papo a respeito de cultura soa uma maravilha pra todos. O pessoal (artista) nunca é ouvido realmente”. Durante mais de duas horas foram diversas as reivindicações, muitas delas de projetos pessoais e isolados, que carecem de apoio e sustentação – situação que em muitos casos se arrastam por anos. “Essa história de que o poder público precisa ouvir as necessidades é balela se não há nenhum projeto político de cultura. Então, ainda não se sabe pra onde ir”, reflete.

O último a falar ao microfone no evento foi o presidente do Conselho de Cultura, Pedro Camargo, que reivindicou a presença do órgão na formatação do encontro. A formatação talvez precise ser afinada no sentido do feedback ser mais imediato, pois algumas pessoas deixaram o local e agora aguardam para o retorno de seus questionamentos, mas a iniciativa tem uma proposta interessante e uma finalidade, se bem trabalhada, pode surtir bons resultados.

Que encontros assim, num misto de informalidade e de trocas de conhecimentos/vivências, sejam promovidos por outras secretarias e departamentos; e que a cidade seja vista para além do centro.

Foto: assessoria Prefeitura Pinda