ESCOLHENDO CAMINHOS

Era maio de 2009, primeiros meses do segundo mandato de João Ribeiro, reeleito após derrotar Vito Ardito nas urnas, e também do novo legislativo municipal. Como sempre formado por figuras conhecidas e algumas caras novas. Uma dessas caras era a de Isael Domingues, eleito pelo PSDB como o segundo mais votado. Ao longo do período, o blog Papo Sem Censura registrou passagens e acontecimentos, conforme vamos recordar nos próximos parágrafos.

Não havia terminado o quinto mês da nova legislatura, ainda em 2009, quando o blog trouxe a seguinte afirmação: “Em eventos recentes, após apertar a mão de algumas pessoas, na despedida, Dr. Isael disparava afirmações certeiras: ‘Você está apertando a mão do futuro prefeito de Pindamonhangaba!’. Daqui quatro anos? Será esse o plano?” – leia o artigo completo aqui.

De fato não seria quatro anos depois – como falarei mais abaixo -, mas a “profecia”, ou meta, seja lá como queiram chamar, se concretizaria oito anos depois, na recente vitória de outubro de 2016.

No meio do caminhada legislativa, ainda em 2009, Isael apresentou um requerimento pedindo o uso da Câmara para uma reunião de participação popular, com lideranças de bairro – pedido negado por 6 votos a 4. No microfone, o então vereador dirigiu-se aos parlamentares que negaram o pedido classificando-os de “anencéfalos e descerebrados”. Clima quente… (relembre). Na sessão seguinte, requerimento novamente votado e aprovado (recorde).

Em dezembro do mesmo ano, na votação de Lei Orçamentária para 2010, Isael apresentou 9 emendas, conseguindo aprovar somente uma (aumento de repasse para a Saúde de Moreira César), desarticulando a maioria esmagadora da base governista de João Ribeiro, formada por 7 de 11 vereadores. Na sessão, Isael foi enfático na defesa de suas emendas, em especial na ligada à Saúde. – lembre como foi aqui.

Adiantando um pouco no tempo, Isael Domingues conquistou um grande salto popular ao propor e conseguir aprovar na Câmara a “Lei Ficha Limpa Municipal”, em duas sessões nas quais conseguiu mobilizar a população e lotar o plenário do Legislativo, oportunidade na qual, em entrevista, falou da importância “da limpeza, da higiene na vida pública”. Reforçou, mais uma vez, o valor da participação popular, que mobilizou-se inclusive por meio de abaixo-assinado para apoiar a aprovação do projeto – leia aqui artigo da época.

De potencial candidato em 2012, juntou-se a Vito Lerário na eleição daquele ano. O filme daí para frente todos conhecem bem…

O Isael que ascendeu politicamente em 2008, após ser eleito como o segundo mais votado a vereador, encontrou na relação direta com o povo, por meio de pequenas mobilizações, a força para enfrentar os desafios e garantir vitórias. Se por um ouvido entrava o “lobby verbal” de algum político, como algum deputado ou os famosos conselheiros de beira de ouvido, na outra ponta estava a garantia do equilíbrio ao escutar sem ruídos as vozes da população.

Certa vez, para justificar a sua não ida para o PMDB, após deixar o PSDB em 2011, Isael disse a este colunista: “Eu perdi para um gigante”. Referia-se a Paulo Skaf, que havia levado Paulo Torino para o partido. No campo da política, Isael sabe que existem “gigantes”… e de todos os tipos.

Quando Isael assumiu a secretaria de Saúde na gestão Vito, ainda em 2013, recordo do artigo do blog “Isael na saúde: No lugar errado; na hora errada”. Quando esbarramos dias depois de publicado o artigo, o então secretário disse que eu havia “exagerado” na avaliação. Isael deixou a pasta cinco meses depois…  O artigo terminava dizendo: Além do mais, rumores que correm pelos bastidores da política indicam: “Era preciso dar um cargo ao Isael. Antes tê-lo ocupado com alguma secretaria, do que percorrendo a cidade e falando, falando, falando…”

“Falando, falando, falando…” com quem? Não é difícil responder essa.

O Isael que ascendeu politicamente em 2008 pede o plenário da Câmara para reunir lideranças de bairro – participação popular. Tem seu requerimento reprovado, sobe o tom e vira o jogo.

Na política não há fórmula mágica e não há somente um caminho certo. Certo, apenas, é o fato de que todas as trilhas precisam necessariamente – e fundamentalmente – levar ao povo. E “aquele” Isael sabe bem disso.