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Oito anos depois, um clima de uniformidade volta a dar as caras na escolha do presidente da Câmara de Pinda, repetindo o ocorrido na primeira sessão legislativa de 2009, quando Martim César foi eleito presidente e o grupo político ligado à reeleição do prefeito João Ribeiro, em 2008, ficou com grande parte do comando da casa. No fim da manhã deste 1º de janeiro de 2017, após a posse dos eleitos no dia 2 de outubro, aconteceu a sessão para a escolha dos membros da mesa diretora da Câmara para o biênio 2017-2018.

Conforme o blog avaliou no sábado (31), um dia antes da sessão, a disputa ficaria restrita aos nomes de Magrão (PR) e Goffi (PSDB), com o primeiro levando alguma vantagem por estar mais alinhado com as “regras” da Casa – leia aqui o artigo. Felipe César estaria de prontidão para o caso de algo fugir ao controle; seria ele o nome na manga. A FC, no entanto, conforme avaliou o Papo Sem Censura na mesma nota, vale mais sair de cena no primeiro biênio e articular forçar para voltar no 2019-2020.

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Ao longo da manhã, ainda durante a sessão de posse, este colunista apurou que Magrão havia assegurado 7 votos. A sessão de escolha da Mesa começou com certo atraso, o que denotou certo alinhamento ainda nos bastidores, mas assim que iniciada, o primeiro cargo em disputa foi o da presidência. Levantaram-se Magrão e Goffi – nos votos nominais, a surpresa pelos 10 a 1 a favor de Magrão (abaixo falo mais sobre o assunto).

Para a 1ª vice-presidência, apenas Osvaldo Negrão (PR) apresentou-se como candidato, levando 10 votos. Renato Cebola (PV), com 10 votos, foi ao cargo de 2° vice-presidente. Como queria, Roderley Miotto Rodrigues (PSDB) manteve-se 1º secretário eleito com 10 votos. Por fim, Ronaldo Pipas (PR) foi a 2º secretário com 10 votos.

Vamos aos pontos…

Ponto 1: candidatura representativa

Certamente, Goffi entrou em plenário sabendo da derrota – tinha ciência inclusive de que ela seria numerosa. Para ele, no entanto, manter a candidatura tinha dois sentidos: mostrar internamente que leva até o fim posições (isso é de certa forma importante dentro de um ambiente no qual ser engolido é algo fácil) e tentar combater os rumores de que teria feito campanha contra  Vito durante o processo eleitoral. Ao apresentar-se como o candidato da “oposição” a Isael, tenta transferir aos demais vereadores do lado de Vito a responsabilidade pelo alinhamento: buscando que a imagem de “infidelidade”  recaia sobre os outros vereadores ligados ao Vito, como Gislene e Cebola, que foram comissionados na gestão. Agora, que há um racha no PSDB, isso fica claro…

Não somente pela votação deste domingo, pois ela apenas corrobora o racha, na medida em que Jânio, Toninho e Roderley entregam seus votos ao candidato de Isael. Se Goffi retirasse a candidatura, essa imagem não seria passada. No entanto, Goffi deixaria de marcar posição. Jânio, Toninho e Roderley também poderiam ter votado no presidente do PSDB ao cargo e ainda assim Magrão seria eleito; mas Jânio não deixaria passar a oportunidade de dar o recado ao neovereador: “aqui é assim, ou está com a gente ou está sozinho” (frase simulada). Uma sessão antes da votação do biênio 2015-2016, Osvaldo foi engolido e não conseguiu aprovar nenhuma emenda ao orçamento votado à época. “Foi o recado para ele, ou vota em Felipe ou estará sozinho e isolado”, disse uma fonte ao blog na oportunidade. Assim que a banda toca lá pelas bandas da Casa de leis.

Ponto 2: votações marcadas

A Mesa Diretora terá três nomes do partido de Isael e dois ligados ao que seria a “oposição” – por mais que o clima ainda seja de lua de mel, como é comum ocorrer nos primeiros seis meses após as eleições em qualquer esfera de governo, guardadas situações específicas. Não houve disputa em nenhum dos cargos e nem abstenções no momento do voto. No instante da apresentação dos candidatos a 2° vice-presidente, Jorge da Farmácia chegou a se levantar juntamente com Cebola, mas um movimento de mãos do vereador Osvaldo apontou para que Jorge se sentasse… e assim foi feito. Dos bastidores ao plenário, as cartas já chegaram bem definidas.

Ponto 3: Piorino comanda a banda

“A escolha do presidente para o biênio 2017-2018, que se dará na sessão inicial de 1º de janeiro já mostrará também como está a divisão de forças dentro do Legislativo e poderemos ver os primeiros sinais da capacidade e das direções das articulações do vice e Secretário de Governo, Ricardo Piorino.” Assim o blog avaliou no sábado (31).

O sorriso largo do vice e agora secretário de Governo, conforme constatou o blog por meio de fontes, mostra que o cenário desenhado atendeu as expectativas e tem os seus dedos. No discurso de posse, com seu estilo explosivo, Piorino bradou em determinado momento: “É comum haver racha depois que [políticos] se elegem,  por interesses próprios. Esse racha é uma covardia. Parar com essas divisões que começam dentro dessa Casa de leis, precisamos parar com isso. A fiscalização vai começar dentro [do Executivo], com processo administrativo e rua”. O jeito “truculento” de Piorino em suaas palavras, que falou após o discurso previamente preparado e repleto de indiretas de Rafael Goffi e antecedeu um discurso exageradamente poético do prefeito Isael, revela a quem caberá o papel mais incisivo da nova gestão.

Diante do cenário, o blog não retira a avaliação feita no dia 3 de outubro, logo após a eleição: “Nessa engrenagem toda, atuando no papel de chave de giro, que pode tanto colocar a máquina para funcionar como ocasionar fissuras, está o vice Ricardo Piorino. Este senta-se à mesa com todos – o prato servido será sempre apreciado pelos convivas; no momento de flambar, no entanto, muitas vezes o fogo termina em incêndio.”

Ponto 4: não há ponto sem nó

Na votação em que foram criados novos cargos de diretoria na Câmara (leia aqui), ato revogado na sessão seguinte, um dos que votaram favoráveis à criação foi o vereador Magrão, que normalmente vota em linha com Osvaldo – esse havia votado contrário à proposta, pois não concordou com a colocação do projeto de última hora. A decisão de Magrão já demonstrava pretensões futuras.

Ponto 5: Votações importantes

Manter a Câmara alinhada nos próximos meses será a tarefa de casa da nova administração, que tentará passar as reformas administrativas que planeja. Cabe à população acompanhar como será essa reforma e de que forma ela passará pela Câmara. Em um cenário de recessão, com uma folha de pagamento no limite da lei de responsabilidade e de um déficit na cidade de R$ 70 milhões, como disse Piorino em seu discurso, conter gastos com cargos de confiança e com infraestrutura de novos setores que possam vir a ser criados são ações fundamentais para que área fundamentais, como Saúde, Educação e esporte, sejam preservadas.

Ponto 6: os desafios

Apesar de ter chegado à presidência com as bênçãos de figurões da política, Magrão tem nas mãos a chance de fazer reformas importantes, a começar pela atualização do Regimento Interno da Câmara, que em alguns instantes conflita com a Lei Orgânica e até mesmo com interesses democráticos básicos – vide os métodos para o uso da Tribuna Livre. Com Osvaldo de vice, ambos assumem posições de protagonistas e terão nas mãos alguma chance real de mostrar seus reais objetivos na política. Resta esperar.

***

Jogo Rápido

– No meio da multidão, ainda em plenário após a sessão de posse, um tapinha nas costas entre o prefeito Isael e o presidente de seu ex-partido PV, José Mayer, indica alguma chance de diálogo, afinal o deputado estadual Padre Afonso, do PV, está com Isael e com indicados dentro de seu secretariado;

– Na cerimônia de transição do cargo entre Vito e Isael, no auditório da prefeitura, houve abraço entre o prefeito que deixava o cargo e o eleito. O clima amistoso condiz com uma solicitação feita nos bastidores por Isael aos vereadores do grupo mais ligado ao Vito para que façam uma oposição consciente;

– Também não podemos nos esquecer que quem trouxe Isael para o meio político foi o próprio Vito, sendo o hoje prefeito eleito vereador pelo PSDB em 2008. Quatro anos depois, Isael sairia candidato a vice ao lado de Vito;

– Piorino e Magrão, em seus discursos, falaram sobre uma política por Pindamonhangaba, de que o partido único precisa ser a cidade. A questão, no entanto, não é exatamente essa: a pluralidade partidária é salutar para a democracia e para o processo político; a disputa por interesses, essa sim, é repugnante e onerosa;

– Piorino também falou em dar um basta “à política ultrapassada, suja e de trocas”. Enterrar o ciclo da política de trocas, pelo que parece, ainda está distante, vide o próprio secretariado do atual governo que conta com pessoas ligadas a apoiadores da eleição de Isael, como o deputado Padre Afonso, e a própria composição da mesa diretora, definida previamente depois de muitas cartas jogadas.

 

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