Campanha de reeleição nem sempre é sinal de vitória garantida. Você tem a máquina pública nas mãos, mas o telhado de vidro também recai sobre os seus ombros. A eleição deste ano, além de fatores comuns do jogo político, como situação e oposição, ainda veio regada com uma pitada de sentimento de “golpe” ou de “justiça moral”; de desencanto pela classe política e pela representatividade partidária (um risco); pelo sentimento de mudança, mesmo sem nem bem saber se o caminho escolhido é o mais correto.

O índice médio de abstenções no Brasil ficou em 17% – na nossa região do Vale do Paraíba sobe para 20%. Em Pinda não fugiu disso, ficou em 21% (trago alguns números abaixo comparando a eleição de 2012 e 2016 na cidade). Assim como em 2012, a maioria dos votos de 2016 em Pinda se concentrou nos dois principais candidatos na disputa, restando os mesmos 11% para ser dividido pelos demais (em 2012, eram outros dois candidatos; em 2016, foram três).

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Findado o resultado das urnas, encerrada uma era de 4 mandatos do atual prefeito Vito Ardito Lerário, Pinda terá pela frente um cenário de oportunidades, mas também de dúvidas e desafios (não é pessimismo, é senso crítico). Eleito, Isael Domingues (um potencial político desde os tempos de vereança) tem pela frente um cenário legislativo bastante interessante: serão 4 vereadores de sua base e outros 7 eleitos de partidos que apoiaram o atual prefeito derrotado. O contraponto disso está na “renovação” da Câmara – “adversários partidários”, Isael pode encontrar caminhos de diálogos com os novos nomes, como Renato Cebola (PV), Rafael Goffi (PSDB) e Gislene Cardoso (DEM). Ao menos nos primeiros anos deverá haver uma composição “pela cidade”.

Tradicionais xerifes do Legislativo, Jânio e Felipe César (atual presidente) não terão vida fácil. Jânio leva apenas um fiel escudeiro para dentro (Toninho da Farmácia) – Cal, Eric e Martim César ficaram pelo caminho das urnas. Roderley Miotto ensaiou algumas rebeldias no primeiro mandato – pressionado, recuou. Agora pode novamente colocar as asas de fora, amparado em um sentimento de renovação do PSDB municipal (sonho do governador), que deve ser liderado por Goffi. Felipe tende a abrir “negociação de forças” visando o primeiro biênio da próxima legislatura – aí também está um nome no qual o prefeito eleito pode encontrar margem para diálogo. Isael terá alguns espaços na máquina para tentar atrair parte do PV – o fisiologismo pode ir ao cardápio central (fiquemos de olho).

Nessa engrenagem toda, atuando no papel de chave de giro, que pode tanto colocar a máquina para funcionar como ocasionar fissuras, está o vice Ricardo Piorino. Este senta-se à mesa com todos – o prato servido será sempre apreciado pelos convivas; no momento de flambar, no entanto, muitas vezes o fogo termina em incêndio.20-1024x682

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