pipa

Já é primavera no hemisfério sul – a primavera austral. Tende a ser uma estação marcada por temperaturas amenas, ipês floridos, dias mais longos e noites mais curtas.

Mas justamente na semana de 23 de setembro, que demarcou a virada do inverno para a estação das flores, as temperaturas passaram a saltar galopantes sobre os nossos cangotes. No meio disso deu um temporal que abafou o bafo do calor; mas logo ele voltou. Imponente!

Apesar do sol ardente do domingo (27) e da brisa zero, o clima no Aterro até que era aprazível. Bom pra sentar à beira mar – sem dispensar o guarda-sol – e trocar por miúdos com o livro a tiracolo. Ambulante que vai. Ambulante que vem anunciando dois saquinhos de pipoca por um real – ou, na outra mão, chapéus. Ecléticos na arte de vender.

Gente que chega e nem dá confiança ao sol – ali se instala e por ali fica tendo o céu como estufa sobre o coro cabeludo. Gente que vai embora. E, então, chega o tio… O tio e três sobrinhos. O tio, os três sobrinhos e a canga com guarda-sol.

Cinco minutos. Tio na canga. Sobrinhos no mar… É sobrinho que vem; sobrinho que vai. E o mais velho, com seus 7/8 anos, quer uma pipa. “Da cor do Flamengo!”, carimba.

Pipa nas mãos. Linha nas mãos. Pipa no céu. Olhar apontado para o alto e, ops, quatro espirros seguidos… É, olhar para o sol tem seus efeitos. “Saúde” e pipa no céu.

“Ei, Tato, tenho um desafio pra você”, grita o menino da pipa ao primo (ou irmão, pouco importa) mais novo. “Você segura a linha aqui e aos poucos vai dando linha, que eu vou acompanhar a pipa”, explica. Desafio aceito. “Dá linha…”, grita o primo já correndo pela praia, observando o papagaio no ar.

O mesmo menino da pipa é aquele que foi no mar com os óculos de mergulho, que comeu batata de saquinho e tomou Guaravita. Era ele quem envolvia os outros dois meninos na brincadeira na areia. E foi ele quem esqueceu seu par de chinelos quando a Priscila, uma jovem de cabelos ondulados e sotaque espanhol-latino, acompanhada de uma linda e animada SRD (vira-lata), chegou no local para se encontrar com o grupo e irem embora. “Até o chinelo eu tenho que levar”, sorri o tio para Priscila, enquanto o sobrinho já aguardava no asfalto com os outros dois meninos.

Os cinquenta minutos foram como horas para aquelas meninos – que tanto fizeram; e correram.

Às crianças, deem pipa. Aos adultos, capacidade de sonhar para além das nuvens.

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