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O Partido dos Trabalhadores carrega sobre seus ombros o mal da corrupção que estarrece diariamente a sociedade brasileira a cada manhã, a cada F5 dado na tela noticiosa do computador ao longo do dia, a cada atualizada na timeline do Facebook ou no zapear pelos canais de televisão. Corrupção, corrupção, corrupção. Crise. Corrupção. Crise econômica. Corrupção. Impeachment. Panelaço. Manifestações. Corrupção. PT.

As mãos leprosas de membros do partido vermelho estão sobre as alças dos baús de dinheiro público que escorreram pelos corredores nebulosos das estatais, das ONGs, dos escritórios de consultoria… Há dedos vermelhos contando cédulas desviadas dos cofres nacionais. Lá estão, olhos vermelhos que não perdem um movimento se quer, e que possam lhes render vantagens. Senão dinheiro, poder.

E por isso o partido perdeu ao longo dos últimos anos, especialmente desde que chegou ao Planalto, figuras e quadros tradicionais de sua história – alguns saíram por decepção, outros por falta de coragem de defender, ao menos, as bandeiras de base do partido, e ainda aqueles que ocupam o velho e “bom” hall do oportunismo político. Enquanto partido (sim, o é!), o PT sabe da necessidade de se reconstruir. Porém, será difícil o fazer enquanto estiver no poder.

Enquanto olhamos para os dedos, mãos e olhos vermelhos que aliciam o dinheiro público, qual é nosso grau de indignação com outras cores partidárias que fazem usufruir por meio de esquemas tão corruptos quanto aqueles “criados” pelo PT? Os cartéis dos metrôs de São Paulo, as compras de votos em Minas ou na votação de um processo de reeleição um ano antes de um pleito, em 1997. Cadê a nosso indignação com o paço municipal? Cifras desviadas da FDE, vereadores que usam carros oficiais, sustentados por dinheiro público, para fazer viagens particulares… Cadê?

Hoje foi mais um dia de manifestações contra Dilma Rousseff e o PT – a expressão da voz, um direito democrático. A seletividade da indignação, uma escolha. Reduzir a crise à Dilma, ou ver o impeachment como a solução para o país, é fazer como o PT, que transformou seu projeto de Brasil em uma meia-artimanha para a sustentação do poder – assim como muitos partidos já fizeram e outros ainda farão enquanto não entendermos, como sociedade coletiva (sim, é preciso ser redundante), que a transformação da nação está além do voto. Está na participação local, nos conselhos municipais, nas reuniões de bairro, nas sessões de Câmara… A utopia da construção do “país do futuro” passa, necessariamente, pela edificação da democracia participativa nas cidades.

Por Giovanni Romão