>>> Por Giovanni Romão

Em audiência pública sobre rebaixamento da linha férrea, DNIT confirma que projeto está 100% nas mãos do órgão federal. Veja dez pontos relevantes da noite

rebaixamento
Perspectiva de como ficaria a região central da cidade após o rebaixamento

 

Interesses partidários, quem é “pai” da criança, quem fala mais alta, quem tem mais poder… A sensação é de que todas essas picuinhas foram deixadas de escanteio na noite do último dia 1° de abril na Câmara de Pinda. A data pode dar margem para piadinhas sobre mentira, mas a verdade é que a Câmara de Vereadores foi palco de uma das audiências públicas mais maduras de sua história – sem dúvidas da atual legislatura.

O tema discutido foi o rebaixamento da linha férrea, em audiência com a presença de representantes do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), da Contécnica (empresa responsável pelo projeto básico do rebaixamento da linha), do prefeito Vito Ardito Lerário (acompanhado de seu quadro de confiança) e de cinco vereadores (Osvaldo Negrão – autor da audiência -, Carlos Gomes “Cal”, Carlos Magrão, Professor Eric e Martim César). Também participou do encontro o ex-secretário de Desenvolvimento Econômico, Álvaro Staut.

Aliás, Vito e Álvaro proporcionaram o único momento mais político da audiência, quando o primeiro acusou o segundo de falar inverdades, e Álvaro afirmou que ainda não havia ouvido o prefeito defender a obra de rebaixamento.

Tirando o contra-tempo, o restante da reunião teve um caráter suprapartidário e ajudou a elucidar o tema do rebaixamento.

O blog separou os dez pontos mais relevantes da noite:

1° O município não tem mais responsabilidade nenhum sobre o projeto; agora fica a cargo do DNIT conduzir o tema;

2° A empresa Contécnica tem até meados de junho para concluir o projeto básico; segundo os representantes da empresa (Ricardo Fonseca e José Maurício Gomes) e do DNIT (Adelívio Peixoto e Marco Antonio Blota), o prazo deve ser cumprido; caso contrário, cabe prorrogação;

3° O prefeito Vito Lerário, que pouco falou do tema nos seus dois primeiros anos de mandato, confirmou apoiar o projeto;

4° Se aprovado, o DNIT ficará a cargo da obra de rebaixamento de 1,2 km da linha, enquanto a urbanização da superfície será de responsabilidade do poder municipal;

5° O município já pagou toda a contrapartida do projeto; as despesas agora são todas por conta do governo federal, que já repassou parte da verba para a conclusão do projeto básico;

6° Todas as avaliações técnicas confirmam a viabilidade da obra, desde custo até o reflexo na mobilidade urbana da cidade;

7° A atuação de todos os membros políticos da cidade e de outros órgãos locais é fundamental para que o projeto seja contemplado com repasses federais para seu andamento;

8° No nível em que o projeto se encontra, não há mais como ser interrompido;

9° O custo total do rebaixamento está orçado em R$ 251 milhões;

10° Será importante os esforços para que o projeto seja incluso no PAC – Programa de Aceleração do Crescimento -, possibilitando assim a realização de um processo licitatório no novo sistema RDC, que permitira o andamento paralelo do desenvolvimento do projeto executivo e do início das obras.

Ping-pong da noite

– Os vereadores Felipe César (presidente da Câmara), Ricardo Piorino, Roderley Miotto, Dr. Marcos Aurélio, Toninho da Farmácia e Jânio Ardito Lerário não participaram da audiência. Quem lá esteve, certamente, passou a fazer parte de um momento histórico para a cidade.

– A audiência pública foi a segunda vitória política e técnica do vereador Osvaldo em sua primeira legislatura. Ter reunido em um mesmo encontro, representantes do DNIT (vindos de Brasília) e o prefeito da cidade é sinal de grande capacidade de articulação política.

– Não presente, o vereador Roderley Miotto foi citado pelo prefeito Vito, que afirmou ter sido informado que o parlamentar, em um encontro fechado, teria dito que o chefe do executivo não era favorável ao projeto. Em tom de crítica, o prefeito deixou clara sua indignação com o líder de sua base na Câmara. Essa é a primeira vez que Vito tem uma postura incisiva em ambiente público contra seu correligionário.

– Este blogueiro dirigiu-se ao secretário de Planejamento, Jorge Samahá, para tirar uma dúvida quanto à pronúncia correta de seu nome. E descobriu-se que, o correto não é nem Samahá (com h mudo) ou Samahá (com “h” assumindo som de “r”); o correto de se pronunciar é “Smarra”. Informação irrelevante para o contexto, mas curiosa.

– Depois de trocarem farpas, Vito e Álvaro Staut deram um longo aperto de mão ao final da audiência. A iniciativa partiu de Álvaro. O que será que eles falaram?

– As perguntas repetitivas geraram momentos cômicos na noite. Apenas na questão de quem é a responsabilidade do rebaixamento daqui para frente foram diversas vezes reafirmado que a responsabilidade agora é toda do DNIT. “Achei que tivesse sido claro”, divertiu-se Adelívio, técnico do DNIT.