Por Giovanni Romão

dilma

 

No início do primeiro mandato de Dilma Rousseff, durante uma reunião ministerial, uma de suas ministras deixou nas mãos da presidenta uma planilha na qual solicitava reajuste para  cargos comissionados. No documento haveria uma espécie de um estudo justificando o pedido. Sem nem mesmo ler, Dilma teria enrolado o documento em formato de cone e ao devolver às mãos da ministra foi enfática: “Vou dizer o que faz com isso…”

A postura enfática, para alguns, mal-educada, revela um lado um tanto quando espinhoso de Dilma: sua limitada capacidade de diálogo. Ela tem foco, quer ser objetiva, pretende chegar à conclusão dos fatos no curto prazo, e isso tudo se confunde com os ouvidos pouco apurados para também… ouvir. Há quem defenda o ditado de “quem abaixa muito, acaba mostrando demais”. Porém, é verdade também, que a postura de Dilma já resulta em problemas – políticos e técnicos – para a condução de seu governo.

Ao tentar evitar interferências em seu governo vindas de todos os lados, em especial do parlamento, Dilma acaba por criar barreiras em relações que não conseguirá romper, como é o caso dos presidentes legislativos Eduardo Cunha e Renan Calheiros. Vejam que curioso. O primeiro, eleito a contra-gosto do Planalto, hoje parece mais disposto ao diálogo com Dilma do que Renan Calheiros, governista no primeiro mandato e reeleito à presidência do Senado sem objeções do governo.

Eis a explicação: Cunha sempre teve uma postura mais de oposição – ou seja, distante do governo – e, hoje, permite-se tentar estabelecer o que Renan talvez já tenha visto que não dá: dialogar com Dilma e seus pares.

O começo do segundo mandato de Dilma também tem sido desastroso na comunicação com seus ministros. Somente com Joaquim Levy (Fazenda) foram duas trabalhadas – numa, o próprio ministro se retratou; na segunda, Dilma fez questão de dizer que seu comandado não foi “feliz” na colocação à imprensa.

No diálogo com os movimentos sociais mais trapalhadas. Gilberto Carvalho conduzia o papel nos oito anos de Lula e a coisa fluía bem. Com Dilma, seguiu nos quatro primeiros anos e conseguiu manter o mínimo do script. Foi sacado do posto para o segundo mandato e o diálogo com esses grupos também degringolou.

Mais do que colocar a casa econômica em ordem nos próximos meses, Dilma sabe do seu outro grande desafio institucional: “amolecer” as rédeas para resgatar uma governabilidade menos turbulenta e que garanta um pacto federativo capaz de colocar o país em rota de crescimento e de avanços fundamentais, como as reformas política e tributária.

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