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De um jeito um tanto quanto destrambelhado e por uma questão de defesa de sua imagem, Marta Suplicy subiu o tom contra o PT. Deu entrevista, escreveu artigos… Momentos nos quais não economizou nas críticas ao governo de Dilma Rousseff e escancarou fatos dos bastidores petista, como a vontade de Lula em ter sido candidato em 2014. No entanto, no meio de tudo o que Marta divagou, um ponto deve ser observado com atenção: PT, quem é você hoje? Qual será o seu futuro?

O ano começou agitado para dentro e para fora dos muros do partido. Depois de uma vitória apertada nas urnas em outubro passado, a presidenta reeleita Dilma desposou-se frente à realidade que batia à porta desde meados de seu segundo mandato: a economia patinava; era necessário fazer ajustes. Em campanha bateu o pé de que tudo estava bem. Tomado o bastão de mais quatro anos, abriu-se o pacote de ações.

Ela apenas não admite que os programas sociais sejam atingidos, mas as medidas de austeridade fiscal mexem com os mais delicados sentimentos do trabalhador. Por mais que o nosso sistema previdenciário esteja desgastado, colocar o dedo nele em plena crise econômica é fazer cabelos ficarem em pé – certamente. Lá na frente as mudanças podem ter efeitos imprescindíveis, mas por ora cabe o medo. Fora questões basicamente econômicas, o governo enfrenta agora uma crise no setor energético. Os baixos índices de chuva escancaram a falta de planejamento. Sem dúvida estamos em uma situação melhor do que em 2001, quando enfrentamos racionamento em níveis de água superiores aos atuais – diversificamos em algum nível nossas fontes energéticas; porém, o sinal amarelo está acionado – o que faz dessa diversificação algo ainda insuficiente.

A Petrobras enfim abriu seu balanço trimestral referente ao fim de 2014. A situação não é de “falência” da estatal, como alguns insistem em dizer, mas está longe de ser a Petrobras do ousado Plano Estratégico 2014-2018, que previa altos investimentos e aumento na exploração de petróleo e gás. A diretoria da empresa admite perdas bilionárias que escoaram pelos ralos da corrupção e os investimentos serão reduzidos de coisa de 40 bilhões para 30 bilhões ao longo deste ano. E pouca coisa deve mudar em 2016… Tudo isso atrelado ao contexto global do menor valor do barril de petróleo praticado nos últimos 6 anos.

Os avanços conquistados pelo partido no âmbito federal de 2003 a 2014 são legítimos, e a história, mais do que o presente, será capaz de imortalizá-los. Porém, para a reconstrução de suas bases, coisa lá de 10 de fevereiro de 1980, é preciso de fato voltar a pisar o chão que te criou, se reaproximar dos movimentos populares que de fato te sustentam – desde apertadas derrotas, como a de 1989, a recente acirrada disputa vitoriosa de 2014 –, e resgatar os valores que nortearam seus ideais. Reinvente-se, PT. Por que não?

Por Giovanni Romão