Por Rubens Filho

água

Como diria o presidente Luís Inácio Lula da Silva, “nunca antes da história deste país” a água e o saneamento (esgoto, mais precisamente) foram temas tão importantes e corriqueiros dos bares de esquinas, dos churrascos de domingos, dos encontros de amigos e até mesmo dos jornalistas das grandes e pequenas redações. O Ministério das Cidades, hoje sob o comando de Gilberto Kassab (PSD), está se tornando o mais visado de Brasília pela imprensa.

Tradicionalmente lançado entre março e maio, os indicadores do SNIS (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento) ganharam holofotes dos jornalistas assim que saiu nas primeiras semanas de janeiro. Ali, nas numerosas abas de Excel, estão os dados mais relevantes de saneamento de mais de 5 mil municípios, incluindo Pindamonhangaba. As empresas de saneamento, sejam públicas, privadas ou público-privada, são as responsáveis por repassar os dados ao Ministério sobre a situação de água e do esgoto das cidades que operam.

Diante de uma escassez hídrica com erros governamentais e fatores decisivos climáticos, os números do SNIS refletem no desabastecimento gradativo que acontece no país, mais precisamente no estado paulista.

Abastecimento de água

Este indicador nos traz um panorama de quantos por cento da população é atendida com água encanada. Em Pindamonhangaba, os dados mostram que 100% dos pindenses tinham água encanada em 2013. Não se sabe, por exemplo, se existe área de ocupação irregular na cidade – uma vez que estas são proibidas judicialmente de receber os serviços básicos de saneamento e, portanto, não entram na conta.

Coleta de esgoto

De acordo com o SNIS, 96,40% da população de Pinda tinham coleta de esgotos em 2013, contabilizando então um pouco mais de 5 mil pessoas sem este serviço.

Tratamento de esgoto

Um dos pontos mais emblemáticos do saneamento pindense está no tratamento de esgoto. 75% do esgoto da cidade eram tratados, jogando o resto sem tratamento na natureza. O que não é tratado, geralmente vai para córregos ou algum rio próximo do jeito que saiu da casa do cidadão, colocando a saúde das crianças e dos adultos em extremo risco.

Perdas de água

Imagine perder 38 litros de água a cada 100? Pois é. Pinda registrou uma perda de 38,14% da água produzida, isto é, ela sai da estação de tratamento e poderia ir para a sua casa, mas não foi; se perdeu no caminho por vazamentos e erros de medição. É muita água perdida, ainda mais com uma escassez hídrica acontecendo!

Consumo

A Organização Mundial da Saúde diz que cada habitante deve consumir apenas 100 litros de água por dia. Mas a conta em Pindamonhangaba ultrapassa isso. Por ser uma cidade muito quente, assim como em todo o estado, os cidadãos consomem além da conta. No relatório do SNIS, em 2013, o consumo médio de litro por habitante diário foi de 156,14. Enfim, utilizamos mais água do que deveríamos.

* Rubens Filho é jornalista formado pela Universidade de Taubaté, com experiências no poder público, jornais locais e terceiro setor.

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