Por Giovanni Romão

2015

Sempre fui contra essa coisa de fazer promessas e definir metas no virar do ano. Já pulei sete ondinhas, quando achei que deveria fazer, mas não que isso faça parte de um rito ou uma necessidade crucial para que o ano seja bom ou ruim. Na virada de 2014 para 2015, em uma Copacabana lotada, optei por ficar longe do mar – vamos para o ano sem sete ondinhas. E o ano vai ser bom, garanto eu para mim mesmo.

Podem até perguntar se o blogueiro bebeu ou usou algum tipo de entorpecente, afinal o que um blog que sempre aborda assunto de política vem tratar de ondas  ou falar de pedidos à beira mar? No primeiro post de 2015, na verdade, quero discutir algo mais amplo, e em falta no “mercado”: o otimismo.

Esse “terminho” já gerou até discórdia entre os pensadores Gottfried Leibniz e François “Voltaire” nos séculos XVII e XVIII. O “otimismo” era a orientação filosófica que caracterizou o pensamento do primeiro, combatido pelo segundo, de que Deus escolheu a constituição do mundo, em meio a suas alegrias e sofrimentos, permitindo assim a conciliação entre o “máximo de bem” e o “mínimo de mal”, garantindo o melhor dos mundos.

O dicionário traz uma definição mais simples para otimismo: “disposição para ver as coisas pelo lado bom e esperar sempre uma solução favorável, mesmo nas situações mais difíceis.” Vejam bem, não é questão de “Síndrome de Pollyanna”, de ver a vida sempre pelo lado cheio do copo; mas vivemos tempos de olhares voltados a copos totalmente vazios.

É uma onda de comentários e posturas pessimistas. Sobre tudo! É a água que vai acabar, a energia que vai faltar, o crédito que vai sumir, o terrorismo que vai dominar, a pena de morte que deveria ser institucionalizada no Brasil, o trânsito que não vai fluir, a cerveja que não vai gelar, o samba que não vai sair… O otimismo está longe de ser a solução dos problemas do mundo, mas o pessimismo é a pá perfeita para a desgraça. Por isso, que 2015 seja um ano de mais sorrisos, mais “bom dia” e “tenha uma ótima noite”, de menos chat e mais olho no olho sem o tempo de pensar se deve ou não apertar o enter para enviar, de mais reflexões (talvez o equilíbrio ideal entre otimismo e pessimismo) sobre os fatos e menos conclusões óbvias. Enfim, de mais vida. E menos morte do ser gente.