>>> Assim como em 2010, o vereador foi derrotado por 6 votos a 5 na disputa pela presidência da Câmara de Pinda, mesmo com a vitória assegurada até a metade do segundo tempo

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Dr. Marcos Aurélio venceu sua primeira eleição para vereador em 2008. Naquele ano, este blogueiro presenciou uma conversa informal entre o vereador-médico e o já conhecido do Legislativo, Martim César. Ambos haviam sido eleitos pelo Democratas – hoje, Marcos Aurélio é do PR. O bate-papo entre os dois se deu no hall do segundo andar da Santa Casa de Misericórdia.

Com o partido fortalecido, era consenso entre ambos que o DEM deveria presidir a Câmara nos dois biênios. Recém-eleito para o seu primeiro mandato, Marcos Aurélio sugeriu que Martim deveria ser o primeiro presidente, até para que o então novato legislador pudesse conhecer um pouco mais sobre a Casa de Leis, assumindo o posto de presidente, então, no biênio 2011-2012.

Tudo caminhava muito bem até o dia 6 de dezembro de 2010. Naquela data se deu a eleição da presidência para os dois anos seguintes. Em um jogo articulado por Jânio Ardito Lerário, o parlamentar Ricardo Piorino, ainda no mesmo partido do então prefeito João Ribeiro (PPS), chegou à presidência legislativa, levado pelo próprio voto, o de Jânio, de Dr. Isael Domingues, Abdala Salomão, José Carlos Gomes “Cal” e… Martim César. (cliqui aqui e lembre como foi)

Sim, Martim quebrava naquele instante a palavra com Dr. Marcos Aurélio, que saia derrotado por 6 votos a 5. Quatro anos depois, o filme se repete – mas desta vez, Jânio Ardito Lerário jogou no campo do médico. Mesmo com um documento que lhe garantiria sete votos em 2014 (incluindo o próprio), Dr. Marcos Aurélio viu Toninho da Farmácia e Professor Eric votarem em Felipe César, que foi eleito presidente do biênio 2015-2016 pelo placar de 6 votos a 5.

Veja a entrevista do Dr. Marcos Aurélio à imprensa:

Mais uma vez o senhor colocou seu nome à presidência da Câmara e mais uma vez foi surpreendido com alguns votos que não vieram e que, talvez, o senhor até esperasse. A votação de hoje foi uma surpresa?

Marcos Aurélio: Em certa parte, sim. Nós estávamos esperando essas duas decisões (Toninho e Eric) de não votarem em mim, pois isso já vinha rolando desde a semana passada. Mesmo assim eu levantei. Minha proposta era essa (levantar como candidato). E, assim como da outra vez, perdi por seis a cinco. Agora resta desejar sorte ao vereador Felipe César e seguir trabalhando pela população de Pinda, seja como presidente, sem ser o presidente. Vamos seguir o nosso trabalho, que vocês sabem que é grande. Se me eleger de novo, daqui a dois anos, pode ser que tente de novo (ser presidente).

“O vereador mais querido dessa casa”, como o senhor é definido pelo atual presidente Ricardo Piorino, mais uma vez não é eleito. A política te surpreende?

MA: Algumas coisas me decepcionam. Decepcionam muito. Então, as pessoas decepcionam. Acreditamos na pessoa até ela te decepcionar, como foi o caso hoje e da outra vez. As pessoas estão certas com você e depois… Mas isso faz parte do jogo.

Estamos encerrando o ano: como o senhor avalia o desempenho dos 11 vereadores da cidade em 2014? Com relação a todas problemáticas, como saúde e segurança pública.

MA: (Eu acho que os vereadores) contribuíram, sim. Pelo menos da minha parte, da comissão de saúde, participamos de sei lá quantas reuniões com a Secretária (de Saúde, Sandra Tutihashi) e com a Santa Casa, para resolver essa novela do Pronto Socorro. Agora eu vi o Magrão, que era um ferrenho lutador contra o Pronto Socorro, fazendo uma menção elogiosa ao diretor do PS. Então acho que a nossa luta, minha, do Roderley (Miotto) e do Cal, na questão da saúde, valeu. Nas outras partes acho que não tivemos tanta polêmica assim que leve a julgar os vereadores, que não têm muito poder de decisão, e precisam estar aqui cobrando o prefeito. Tivemos uma grande vitória, o Pronto Socorro Infantil, que já é uma reivindicação minha há muitos anos; as UPAs, que estão em obras – e com elas vem o SAMU. Acho que foi um ano bom, pois o prefeito acatou as minhas ideias e está implementando na área da saúde.

Todo o discurso de um presidente eleito na Câmara é de que haverá uma independência de Legislativo e Executivo. Como Felipe César eleito, como o senhor vê a relação entre esses dois poderes?

MA: Difícil responder a essa pergunta… Eu vejo que o relacionamento entre Legislativo e Executivo tem que ser harmonioso, trabalhando em prol da cidade. Não adianta o prefeito fazer uma coisa e a Câmara ficar batendo. Temos que ajudar o prefeito a realizar. Mas eu acho que vai funcionar bem, o Felipe é um cara bom, que conversa bastante, e vejo que o Vito não terá problemas com ele e com a Câmara.