>>> Contornos que levaram à vitória de Felipe César como o futuro presidente da Câmara mostram o quanto o Legislativo de Pindamonhangaba vive um nível de inércia política

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Tenho uma amiga que sempre me critica por eu acreditar em política. Eu de fato vivo uma fase, assim como a sociedade de forma em geral, de descrença nos partidos e nas instituições que nos representam. Mas ainda teimo em crer em pessoas; em seres isolados que fazem as engrenagens da política girar – nem que para isso seja necessário pular fora da engranagem e, surpreendentemente, desestruturá-la.

Mas, entra situação e sai situação, a engrenagem parece cada vez mais perfeita – aos interesses, claro. A escolha do presidente do próximo biênio da Câmara de Pinda (2015-2016) é mais uma prova disso. Particularmente, não tenho nada contra o presidente eleito: Felipe César. Porém, os contornos que levaram a sua vitória ainda me deixam intrigado. FC foi eleito com seis votos (o próprio, Ricardo Piorino, Osvaldo Negrão, Carlos Magrão, Toninho da Farmácia e Professor Eric) contra cinco de Marcos Aurélio (o próprio, Jânio Ardito, Roderley Miotto, Carlos Gomes “Cal” e Martim César).

O que levaram Professor Eric e Toninho da Farmácia, que seguem em linha com Jânio Ardito Lerário desde o início da legislatura, a apoiarem Felipe César? Somente os corredores da história saberão, de fato, responder. O que levaram Osvaldo Negrão e Carlos Magrão, até então as únicas duas vozes de oposição na Câmara, a fecharem com um nome que represente algum dos lados, seja ele qual for?

Lá atrás o blog trouxe que, independentemente do presidente, Jânio Ardito Lerário seguiria como 1º secretário (está no link). E isso de fato aconteceu. No momento da escolha do vice-presidente da Mesa, apenas Magrão, que aceitou apoiar Felipe César, levantou como candidato. Toninho e Eric, que na escolha do presidente votaram no candidato oposto ao de Jânio, no momento da decisão das comissões voltaram a dar votos em linha com o mesmo Jânio.

Pouco antes de começar a sessão que escolheria a nova Mesa, Professor Eric chamou Marcos Aurélio no fundo do plenário. Naquele momento anunciava seu voto em Felipe, confirmando a Marcos o que todos já sabiam: FC seria eleito presidente.  O assessor de Marcos Aurélio queria saber mais detalhes e chamou Roderley, que sentenciou: será Felipe César.

No momento da composição das comissões, era Felipe César quem regia os momentos em que Magrão deveria ou não levantar, num verdadeiro jogo de “vivo ou morto”. Osvaldo também era induzido, mas não respondia ao “B+A=BA” a todo instante.

O jogo está jogado e Felipe está eleito. Será uma “situação” mais chata para o prefeito Vito Ardito Lerário do que seria a “situação” Marcos Aurélio. No campo da política e do Legislativo, no entanto, o joio e o trigo entraram no mesmo pacote, o corporativismo prevaleceu e o “factoide” da polarização “situação” x “oposição” fez novamente o seu papel de manter a ilusão em foco. No mesmo dia da manutenção do Status quo, morreu também a utopia de uma nova política. Ao menos na atual legislatura.