DSC09329 Logo, logo é hora de voltar às urnas. Cravar lá 13 ou 45. Mais uma vez, desde 2002, a polarização PT-PSDB prevaleceu no primeiro turno. Ao voltarmos aos anos 90 (1994 e 1998), já estava desenhada tal divisão de forças, mas FHC levou no primeiro round. Desde então, Lula e Serra em 2002, Lula e Geraldo Alckmin em 2006, Dilma e Serra em 2010 e, hoje, Dilma e Aécio Neves.

Independentemente dos números das pesquisas, que certamente irão oscilar muito até 26 de outubro, o que temos em disputa são duas bandeiras. Não estou aqui para atacar ou enaltecer essa ou aquela bandeira. Mas para reforçar os valores que defendo e acredito serem essenciais na construção de um país mais igualitário e de oportunidades. Valores esses que, convergidos, me levam ao voto em Dilma Rousseff.

Eu voto pela continuidade dos programas de redistribuição de renda, especialmente os que atingem as camadas mais pobres. Pessoas que hoje têm tido oportunidades de acessos. Podem pôr na mesa comida. Podem fazer escolhas. “Ah, mas só dar o Bolsa-Família não adianta”. E o que fizemos por décadas? Séculos? “Mas é preciso avançar”. Sim, é. Mas as primeiras cartas estão jogadas e não podem ser retiradas da mesa.

E também voto pela não aprovação do Bolsa-Família como uma política de Estado, como defende Aécio Neves. Transformar em política de Estado é optar pela manutenção da pobreza – e não sua superação. Voto pelos avanços sociais, corroborados em avaliações internacionais, como a ONU, que recentemente tirou o Brasil do mapa da fome no mundo.

Voto pelas conquistas da “nova classe média”. Por conquistas da moradia própria, por meio do Minha Casa, Minha Vida. Voto na ascensão dessa classe média a escolhas das quais não tinha acesso, como o andar de ônibus ou avião, fazer compra mensal ou diária para ver se vai dar o salário dia após dia, tomar uma cervejinha em plena terça – e não somente no sábado que é “quando dá”. Sofrer para pagar a parcela do carro. E não sofrer por não poder ter um. Sim, avançamos.

Voto pelas oportunidades na educação, por meio de programas como o Prouni, e pela qualificação técnica, como o Pronatec, que tem como uma das condicionalidades ser um beneficiário dos programas de assistência social do governo, sepultando aquela máxima de que “o governo dá o peixe, mas não ensina a pescar” – de que não há porta de saída. Há. Voto pelos investimentos feitos em educação. Voto pelas cotas. Bate tristeza termos chegado ao ponto de criar um projeto de cotas afirmativas, mas, novamente, não poderíamos esperar por mais décadas e décadas para ver a situação mudar aos pouco. Aplica-se o paliativo, enquanto investe-se no que será de fato sustentável – “e é por isso que temos que lutar”, diria minha sempre professora, Valéria Duarte.

Voto pelo Plano Nacional de melhoria da qualidade do ensino público, com metas fixadas até 2016. Voto pela ampliação de programas como o Mais Médicos, que absorve parte dos problemas de falta de atendimento em algumas regiões do país, além da criação do Mais Especialidades, que visa a levar atendimento específicos a centros regionalizados.

Voto pela mão do estado na economia, equilibrando o poder dos bancos públicos e privados e garantindo assim o apoio a financiamentos em obras de infraestrutura e a programas sociais. Além de equalizar empregos e renda mesmo em períodos de crise, regulamentação proporcionalmente inversa na medida em que o mercado ganha autonomia.

Voto pelos investimentos externos, como o Porto de Mariel, em Cuba. O investimento teve um custo total de 957 milhões de dólares, e o governo brasileiro financiou 682 milhões por meio do BNDES para a participação de empresas nacionais no projeto. De todo custo do investimento, 802 milhões retornaram a empresas brasileiras, por meio do fornecimento de bens e serviços. Mais, estrategicamente localizado no Canal do Panamá, que passa por uma importante obra de ampliação, o porto refletirá no escoamento da produção brasileira para outros países, como os EUA, localizado a dali 150 quilômetros do Porto de Mariel. E refletirá ainda no fortalecimento das relações comerciais do Brasil com Cuba, hoje girando em torno de 450 milhões de dólares. Cuba está se abrindo ao mercado externo e projeta uma zona de livre comércio, inclusive, na região do Porto de Mariel. O Brasil não gastou dinheiro com Cuba. Investiu no futuro.

Voto pelo fortalecimento das relações com os países do Sul, nos deixando menos dependentes dos grandes impérios do Norte, que quando em bons ventos nos “levam” a taxas de crescimento de 2%, 3%. Quando em crise, nos afundam. Com uma economia mais aberta a outros capitais, em especial na relação com nações em desenvolvimento, mantemos uma capacidade de sustentação maior frente aos efeitos cíclicos do mercado mundial e sua volatilidade. Voto pelo fortalecimento dos BRICS e pela criação de um banco independente ao Banco Mundial, dando ainda mais autonomia aos países integrantes do grupo e a seus parceiros comerciais.

Voto ainda pelo o que vem, como a expectativa pelos passos decisivos da reforma política, que não depende apenas do poder executivo, mas a forma como o mesmo conduz o tema refletirá em seu sucesso ou insucesso. Voto para que essa reforma esteja baseada na criação de conselhos populares e plebiscitos, resultando em mudanças que de fato caminhem de acordo com os interesses da sociedade.

Voto pelo projeto de segurança integrada, com base no que foi feito na Copa do Mundo, entre polícias federal, estadual e forças locais. Um trabalho integrado, preventivo e ostensivo. Ainda neste aspecto, voto contra a redução da maioridade penal proposta por Aécio Neves.

E ainda voto, criticamente, por políticas mais efetivas no combate aos atos de corrupção. Na criação de mecanismos internos que inibam tais práticas. É preciso ser menos tolerante com atos de desvio e troca de favores. Voto criticamente por mais participação popular. Voto criticamente por mais investimento em infraestrutura frente à política de consumo. Voto por mais incentivo à indústria de base e manufatureira, reduzindo a grande dependência em commodities e produtos primários. Voto por uma equipe mais eficiente na articulação com o Legislativo. Voto criticamente para que avancemos nas leis contra os crimes de homofobia e outras tantas formas de preconceito. Voto criticamente para que coloquemos em pauta o aborto – deixando de lado convicções religiosas e até posições pessoais, mas olhando para as milhares de mulheres que morrem anualmente em clínicas clandestina.

Entre votos convictos e votos críticos, voto em Dilma. Voto pela continuidade das transformações sociais e econômicas. Voto pela construção de uma verdadeira sociedade – e uma sociedade verdadeira. Voto por essa construção real de uma nação mais igualitária.