>>> Pesquisas realizadas na penúltima semana da corrida presidencial mostram que tudo é possível no dia 5 de outubro, inclusive a liquidação do pleito em primeiro turno. O blog “Papo Sem Censura” traz uma média dos seis levantamentos realizados de 20 a 26 de setembro e algumas projeções com base em disputas anteriores.

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Perdendo musculatura, Marina corre riscos de não chegar ao segundo turno (foto: Thais Aguiar Fernandes)

Na última sexta-feira, dia 26, fechamos os dias letivos da penúltima semana antes do primeiro turno das eleições 2014. No dia 5 de outubro é hora de ir às urnas. Na semana que antecede a reta final do pleito, seis pesquisas de intenção de voto para presidência da república foram publicadas: Vox Populi (duas pesquisas), CNT/MDA, Ibope, Datafolha e Sensus.

Em todos os cenários há uma consolidação da presidente Dilma Rousseff (PT) na liderança no primeiro turno e também a vantagem numérica da petista em um eventual segundo turno – mesmo que dentro da margem de erro – para sua mais provável adversária Marina Silva (PSB).

Os levantamentos também registram uma queda de Marina no primeiro turno e um leve movimento de Aécio Neves (PSDB) para cima. Na Vox/Record, do começo da semana, e na Sensus/Istoé, da sexta-feira (26), são os cenários em que o mineiro aparece mais próximo de Marina, com apenas cinco pontos de diferença. Nos levantamentos da CNT/MDA, Ibope, Vox/Carta Capital e Datafolha, a pessebê tem no mínimo 8% de vantagem para o tucano.

Abaixo, o blog “Papo Sem Censura” traz uma média dos seis levantamentos: 

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Pode não haver segundo turno?

Tomando como base a média das últimas pesquisas, ou mesmo o melhor cenário para Dilma, registrado pelo levantamento Vox/Record – 18% de vantagem para Marina no primeiro turno –, ainda assim teríamos segundo turno. Porém, após o último levantamento do Datafolha, divulgado nesta sexta-feira, o diretor do próprio instituto, Mauro Paulino, avalia que diminuíram as chances da eleição seguir além de 5 de outubro. “O resultado é importante porque indica a diminuição da chance de ter segundo turno”, disse em entrevista à TV Folha.

A pesquisa Datafolha mostra Dilma com a menor diferença frente a soma dos adversários desde agosto. No levantamento feito nos dias 14 e 15 de agosto, logo após a morte de Eduardo Campos, a petista tinha 36%, contra 47% da soma dos adversários – diferença de 11%. A distância chegou à casa dos 18% no fim de agosto e início de setembro. Nos dias 17 e 18 de setembro estava em 14% e agora desceu para 9%. Dilma registra 40%, contra 49% da soma dos adversários.

Para liquidar a disputa logo no dia 5 de outubro, Dilma terá que contar com dois fatores fundamentais. O primeiro é a continuidade da deterioração de Marina até o dia do voto e que parte desse eleitorado abrace mais quatro anos do PT. Outro ponto que pode pesar em favor da petista é a mobilização das militâncias locais na reta final. O PT dispõe de mais robustez frente ao PSB, o que reflete também na assertividade do voto. A recente pesquisa Datafolha foi encerrada com uma simulação do dia da eleição, em que os eleitores digitavam em um tablet o voto na urna. Apenas 37% dos eleitores de Marina acertaram o número da candidata; enquanto o índice sobe para 57% no caso de Dilma e para 45% no simulado com os eleitores de Aécio.

Mesmo que Marina esteja próxima de quebrar a polarização PT x PSDB, os eleitores tendem a lembrar mais do número desses dois partidos no dia do voto do que do PSB, que não conta com bases tão fortes nos estados. Isso pode beneficiar inclusive Aécio, em uma eventual disputa pelo segundo turno caso o tucano chegue mais próximo de Marina até o dia 5.

Aécio ainda pode derrotar Marina e chegar a um eventual segundo turno?

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Aécio precisa subir dois ou três pontos e torcer para Marina seguir caindo até o dia 5 (Foto: Thais Aguiar Fernandes)

Dizer que Aécio pode ir ao segundo turno parece contraditório diante dos números recentes das pesquisas dos mais variados institutos. Marina tem recuado no primeiro turno, é verdade, mas Aécio não consegue capitalizar os votos na mesma velocidade que a neossocialista os perde. Grande parte do eleitorado que desembarca da campanha de Marina, em especial da faixa de 2 a 5 salários, migra para Dilma – o que justifica, inclusive, a turbinada da petista nessa reta final.

Porém, ao olharmos os números das últimas eleições presidenciais, em especial de 2002 para cá quando o PSDB deixou o governo, Aécio ainda está abaixo do pior resultado do tucanato em um primeiro turno. Esse resultado se deu justamente na campanha de 2002, quando FHC tentava passar o bastão a José Serra. O paulista fez 23% dos votos no primeiro turno, em uma campanha que contou com uma terceira e uma quarta vias – ambas fortes. Anthony Garotinho fez 17% e Ciro Gomes, 11%. Juntos, eles somaram 28%, o que estaria um pouco acima do que Marina vem fazendo no atual momento – 25% na média das últimas seis pesquisas.

Diferentemente do que enfrentou Serra em 2002, quando tinha alvo duplo, na reta final do primeiro turno deste ano Aécio terá que atacar apenas em uma frente, justamente Marina Silva. A campanha da PSB já está desidratada e se perder mais 2% dos votos nos próximos sete dias e, na mesma medida, Aécio ganhar 2% (cenário possível se observarmos as curvas de intenção de votos ascendentes e descendentes, respectivamente), teríamos um cenário de empate técnico entre os dois no dia 5 de outubro. Ou seja, um resultado aberto e indefinido a ser gabaritado nas urnas.