>>> Blog Papo Sem Censura faz um levantamento comparando a primeira pesquisa feita pelo instituto após a confirmação de Marina Silva como candidata, em agosto, e o mais recente levantamento divulgado dia 18 de setembro. Em 24 micro e macro cenários avaliados, Marina perdeu musculatura em 18, na mesma proporção que Dilma Rousseff cresceu em 19 “categorias” e a Aécio Neves em 17

Eleição

A mais recente pesquisa Datafolha, divulgada no dia 18 de setembro, e seguindo a métrica do que mostrou o Ibope e Vox Populi na mesma semana, apresenta três conclusões sobre o primeiro turno da corrida presidencial: Dilma Rousseff está estável, Marina Silva apresenta ligeira queda e Aécio Neves, hoje lançado ao papel de azarão, registrando os primeiros sinais de recuperação desde que a vice de Eduardo Campos foi alçada à condição de presidenciável.

Vamos tomar como base o Datafolha e fazer um exercício de lógica e projeção. Para isso, o blog Papo Sem Censura analisou dois levantamentos feitos pelo Datafolha: o primeiro de 28 e 29 de agosto, depois que Marina Silva foi confirmada como substituta de Campos, e o mais recente, de 17 e 18 de setembro – no meio desses foram feitos mais duas pesquisas. O primeiro levantamento, feito nos dias 14 e 15 – os dois dias que sucederam a morte de Campos –, quando Marina ainda era o possível nome do PSB, foi descartado.

Para entender melhor os números, o blog analisou 24 macro e micro cenários e traz os números abaixo e, no final do artigo, a conclusão.

Análise 1 – voto espontâneo

Partiremos da espontânea – aquela parte da pesquisa que os eleitores não são colocados diante dos nomes. Têm que responder o que vem à cabeça. Dilma tinha 27% no fim de agosto e hoje tem 30% – oscilou 3% positivamente. Marina foi de 22% no primeiro levantamento para 24% no segundo (de 1° a 3 de setembro)  – números que seguem iguais até o recente estudo. Aécio, que tinha 10% nos três primeiros levantamentos, subiu para 12% no quarto.

Fica claro que na espontânea nenhum dos candidatos sai perdendo, afinal nenhum deles oscilou negativamente, mas dois  deles têm mais o que comemorar: Dilma e Aécio. A primeira foi a que mais subiu desde agosto (3%), enquanto o segundo começa a subir na reta final do primeiro turno – caso seja mantida essa tendência, o tucano ainda demonstra fôlego para as duas semanas finais.

Análise 2 – Estimulada

A pesquisa estimulada – aquelas em que os nomes dos candidatos são apresentados aos eleitores – segue o mesmo panorama da espontânea, mas nessa temos um derrotado: Marina Silva. Enquanto Dilma oscilou 3% para cima desde o fim de agosto, foi de 34% para 37%, a presidenciável do PSB recuou 4%. Do empate em 34% com Dilma, Marina tem hoje 30%. Aécio também teve crescimento de 3% dentro do período, já que teve com 14% no levantamento da primeira semana de setembro e agora registra 17%. No final de agosto ele tinha 15% – ou seja, no cenário das quatro pesquisas oscilou 2% para cima.

Análise 3 – Segundo turno

Mais uma vez o cenário de análise tem uma derrotada, mesmo que ela ainda seja a vitoriosa. Marina Silva é mais uma vez o foco principal. Nos quatro levantamentos feitos ela venceria Dilma num eventual segundo turno. O instituto similou embates entre Marina e Aécio apenas nos últimos três levantamentos e em todos a PSB venceria o tucano. Porém, o gráfico apresenta projeção de curva nos dois confrontos.

No fim de agosto, Marina venceria Dilma por 50% a 40%. Hoje, em empate técnico, Marina ainda venceria, mas por 46% a 44% da petista. Contra Aécio, a herdeira de Campos tem uma vantagem mais larga, mas o gráfico também está em curva – esta ainda mais acentuada. Venceria por 56% a 28% na primeira semana de setembro e hoje o placar é de 49% a 35%. Marina caiu 6%, enquanto Aécio subiu 7% – aproximação de 13%.

Análise 4 – Regionalizando

O cenário político eleitoral para o primeiro turno fica ainda mais claro ao compararmos a evolução do voto nas cinco regiões brasileiras. No fim de agosto, Marina liderava com folga no Centro Oeste e Sudeste e aparecia empatada numericamente com Dilma no Sul. A petista, por sua vez, aparecia em primeiro com boa vantagem no Norte e no Nordeste.

A pesquisa da última semana, porém, dá a Marina apenas o Sudeste como liderança, assim mesmo tecnicamente empatada com Dilma. Em empate técnico, a petista ganhou a frente numericamente no Centro Oeste, abriu vantagem no Sul e manteve a liderança com folga no Norte (onde perdeu um pouco, enquanto Maria cresceu) e no Nordeste.

E Aécio? O foco do tucano deve mesmo se concentrar nas regiões Sul, Centro Oeste e Sudeste. Nas três regiões ele registra melhora, em especial no Sul e Centro Oeste, onde cresceu 4% e 6%, respectivamente. Nas mesmas regiões, Marina recuou 7% e 2%. No Sudeste, a diferença de Marina para Aécio era de 16% no fim de agosto; agora está em apenas 8%. No Norte e no Nordeste o tucano patina: no primeiro caiu 6% desde agosto, já no segundo manteve-se com 8%.

Análise 5 – Rejeição

Nesse cenário a grande derrotada é Dilma Rousseff, com 33% de rejeição. Já esteve pior, afinal no fim de agosto era rejeitada por 35%. A rejeição de Aécio também recuou desde o fim de agosto, de 22% para os 21% de agora. Marina Silva, por sua vez, viu seu índice subir, saltando de 15% para 22% – ou seja, 7% de elevação.

Análise 6 – por idade

De 16 a 24 anos – Preferida por 42% desse público no fim de agosto, Marina conta agora com a simpatia de 37%. Dilma manteve o eleitorado, 31% para 32%. Aécio é o que mais cresceu, subindo de 13% para 18%.

De 25 a 34 anos – Líder com 37% no fim do último mês, Maria tem agora 33%. Dilma fez o caminho inverso e subiu de 32% para 37%. Aécio manteve-se estável – tinha 14% e agora tem 15%.

De 35 a 44 anos – Dilma oscilou positivamente dentro da margem de erro, de 34% para 36%. Marina apresenta novo recuou, de 35% para 29%, enquanto Aécio variou de 14% para 16%.

De 45 a 59 anos – Todos estáveis nesse cenário. Dilma tem hoje os mesmos 36% do fim de agosto e Marina os mesmos 29%, enquanto Aécio oscilou de 17% para 18%.

Acima de 60 anos – Dilma subiu 3%, de 38% para 41%. Já Marina desceu na margem de erro, de 25% para 24%, e Aécio caiu dentro da margem de erro: de 19% para 17%.

Análise 7 – Escolaridade

Fundamental – Dilma subiu dentro da margem de erro de 44% para 46%, Marina manteve os 25% e Aécio os 12%.

Ensino Médio – Marina liderava com 37% no fim de agosto e hoje tem 33%, o mesmo número atual de Dilma, que antes registrava 31%. Aécio, então com 15%, agora tem 17%.

Ensino Superior – É o microcenário em que Marina aparece mais confortável, mesmo tendo recuado de 43% para 37%. Dilma manteve-se estável, variando de 22% para 23%, e Aécio subiu 4 pontos percentuais, de 23% para 27%.

Análise 8 – Renda Familiar

Até 2 salários mínimos – Dilma segue com folga: tinha 41% e agora tem 44%. Marina Silva de 30% caiu para 26% e Aécio manteve-se em 11%.

De 2 a 5 salários mínimos – Marina liderava com 36% no fim de agosto e agora tem 34%, o mesmo número de Dilma, que antes tinha 31%. Aécio tinha 17% e agora tem 19%.

De 5 a 10 salários mínimos – Isolada na frente com 44% no fim de agosto, Marina caiu 9 pontos percentuais e está com 35%. No mesmo período, Dilma subiu de 21% para 26% no microcenário e Aécio de 21% para 24%.

Acima de 10 salários – Aécio liderava no fim de agosto com 33% e agora tem 31%. Marina manteve-se com os mesmos 32% e Dilma caiu dos 26% para 22%.

Análise 9 – Religião

Considerado um fator importante na atual eleição, principalmente pelo fato de Marina Silva ser evangélica e apontada como a “candidata dos evangélicos”, a análise por faixa de “religião” também deve ser um ponto de atenção.

Católicos – Dilma tinha 38% no fim de agosto e agora tem 40%. No mesmo período, Marina caiu de 30% para 25%, e Aécio tinha 15% e agora tem 17%.

Evangélicos pentecostais – 41% declaravam voto em Marina e agora são 39%. No caso de Dilma, eram 30% e agora são 33% – Aécio manteve-se com 11%.

Evangélicos não-pentencostais – Marina tinha 44% e agora tem 39%, enquanto Dilma segue com os mesmos 29% e Aécio foi de 13% para 16%.

Espirita Kardecista / Espiritualista – 44% estavam com Marina e agora são 41%. No caso de Dilma, eram 14% e agora são 28%, e Aécio tinha 21% e agora tem 17%.

Não tem religião – Dilma liderava com 33% e tem 28% agora. Marina subiu 29% e agora 38%. Enquanto Aécio foi de 9% para 14%.

PS: Umbanda não houve registro na pesquisa de agosto. Na desta semana, 32% votam em Dilma, 28% em Marina e 15% em Aécio.

Análise 10 – Metrópole e Interior

Também importante avaliarmos o microcenário na proporção do voto dos moradores de capitais, onde se têm acessos a mais recursos, porém com qualidade de vida mais comprometida e locais em que certamente as manifestações de junho de 2013 tiveram mais impacto, e o voto dos moradores de cidades do interior, mais afastados dessas insatisfações populares e com qualidade de vida mais acentuada – no interior, portanto, o voto tende a ser mais conservador.

Região Metropolitana – Marina liderava com 37% no fim de agosto, contra 29% de Dilma e 14% de Aécio. A candidata do PSB segue na frente, mas agora tem 39% contra 38% de Dilma e 20% de Aécio.

Interior – Dilma liderava com 38% e agora tem 40%. Marina caiu de 31% para 28% e Aécio registrava 16 e agora tem 17%.

Conclusão

Dos 24 macro e micro cenários avaliados pelo Blog Papo Sem Censura, comparando a primeira pesquisa Datafolha após a confirmação de Marina Silva como candidata (29 de agosto) e o levantamento mais recente (18 de setembro), Dilma Rousseff apresenta melhora em 19 “categorias”, queda em 3 e manutenção em 2. Marina Silva caiu em 18 cenários, cresceu em 3 e segue igual em 3. Correndo para chegar ao segundo turno, Aécio Neves subiu em 17 categorias, desceu em 4 e mantem números iguais em 3.

Confira abaixo o quadro comparativo:

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