Por Giovanni Romão

marina

Maria Silva pode ganhar a eleição? A resposta é simples: sim. Os primeiros números dos institutos após a morte de Eduardo Campos e a ascensão da vice à cabeça de chapa mostram isso. Pesquisas internas do PT, PSDB e PSB corroboram a tendência. Sim, Marina tornou-se uma ameaça real para colocar fim a polarização do tucanato e do petismo existente na esfera federal desde 1994.

Mas, os caminhos que podem levar a ex-vermelha e ex-verde à cadeira da presidência não serão tão simples como foi alçar aos 29% em duas semanas. Diferentemente de 2010, quando foi uma surpresa que despontou nas duas semanas finais do primeiro tuno, Marina agora é protagonista – voltou ao núcleo principal após a tragédia que se desenhou nos céus de Santos. Estar no protagonismo na mesma medida que rende visibilidade para alçar-se ao topo, também expõe ao contraditório. Eis o problema da neopresidensiável: o contraditório.

Marina carrega alguns tantos nós que podem lhe soar preocupantes na medida em que a campanha esquentar nas próximas duas semanas. Dilma e Aécio também arrastam contradições, mas essas já são conhecidas e absorvidas pela sociedade – inclusive parte do eleitorado escolheu lhes virar a face. E apontaram para Marina. A novidade. Também cheia de ambiguidade, Marina verá seu casco rachar aos poucos. É preciso acompanhar apenas a velocidade disso, afinal o dia do voto bate à porta. Se as contradições forem absorvidas rapidamente pela sociedade, parte do eleitorado pode voltar a face para os “contraditórios” mais conhecidos.

Dilma e Aécio já não esperam pelo primeiro ataque contra Marina. Atacaram juntos. Abriram o combate no sonolento e engessado debate da Bandeirantes. Aécio seguiu com a artilharia nesta quarta-feira, 27, afirmando que o Brasil não pode se render ao amadorismo. Referia-se à Marina.

No Jornal Nacional de 27, a PSB viu-se novamente na baila. Enfrentou a típica grosseria de Bonner e não soube explicar o caso do aluguel milionário do jatinho que vitimou Campos e do qual ela, ainda na condição de vice, também fez uso. Falou apenas que “espera” e “pede” uma investigação rigorosa da Polícia Federal. Nas entrelinhas deixou claro que confiou que tudo era legal. Caiu na mesma dos políticos “tradicionais” que enfrentaram casos de corrupção: confiou em pessoas e surpreendeu-se diante do inexplicável.

Assim como fez Lula, em 2002, também como parte de um projeto de poder, Marina abraça-se ao mercado. Traz ideias neoliberais, ainda mais extremistas do que fez FHC ou o que propõe Aécio. A candidata fala em autonomia total do Banco Central – o que seria entregar de vez ao mercado sua própria regulamentação. Neca Setubal, coordenador do plano de governo de Marina e sócia do Itaú Unibanco, a essa altura, aplaudiria de pé.

Marina fala em uma nova política, quando pratica a velha…

Deixou o PT por um projeto de poder – filiou-se ao PV. Passada a eleição de 2010, deixou a sigla verde. Não emplacou a Rede Sustentabilidade e embarcou no partido mais antigo do Brasil, repleto de políticos da velha política. Até Eduardo Campos, um jovem nome, era apenas um novo quadro na velha estrutura. Foi ele quem articulou o PSB no governo do PT enquanto era algo politicamente rentável. Em São Paulo, o mesmo PSB abraça-se ao PSDB e o candidato a vice na chapa de Geraldo Alckmin é Márcio França, próximo a Eduardo.

Em suma, diante do contraditório, Marina tende a sucumbir e o mesmo fator emocional que a levou às nuvens pode devolvê-la ao solo. O problema para Dilma e Aécio é que ambos também já estão sucumbidos. Diante desses cenários e de uma conjuntura nacional de mudança, verdade é que o pleito segue em aberto. Mas, definitivamente, e sem espaços para demagogias, todos são iguais na terra da política.