Por Giovanni Romão

>>> Recheada de raposas (mal) criadas, CPF faz das questões políticas e comerciais maiores do que os interesses do futebol

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Crédito: Rafael Ribeiro/CBF

Dunga foi demitido após a eliminação na Copa do Mundo de 2010. Perdeu para a Holanda de virada nas quartas e caiu. Se olharmos os números, comandou a Seleção Brasileira em 60 partidas – venceu 42 jogos, empatou 12 e perdeu apenas 6. Isso reflete 76% de aproveitamento. Mas brigou com a imprensa, foi uma pedra no sapato da Globo, negou exclusivas ao império da comunicação. E caiu. Mais por questões comerciais do que técnicas e táticas.

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Para o seu lugar, Mano Menezes. Cheio de moral no Corinthians, Mano foi contratado sob às bênçãos de Andrés Sanchez – que viria a ser o diretor de seleções da CBF. Deixou o cargo depois de um ano e meio de trabalho, com 33 jogos, 21 vitórias, 6 empates e apenas 6 derrotas. Aproveitamento de 69%. A decisão foi tomada por José Maria Marin e Marco Polo del Nero, então presidente da Federação Paulista de Futebol e futuro presidente eleito da CBF. Del Nero, é sabido, não suporta Sanchez. Apelou por questões políticas e venceu. Mano saiu. Sanchez caiu fora logo depois.

Veio o técnico agregador Felipão. E o final. Bom, o final já é parte da história.

Nova rodada de contratação e o nome mais cotado era o de Tite. Campeão mundial pelo Corinthians em 2012, vencendo um time europeu por 2 a 0 na final, Tite vivia boa fase. Verdade que deixou o Corinthians em um momento de baixa, mas o ciclo vitorioso está marcado. Atualizado tática e tecnicamente, Tite foi preterido. É próximo de Sanchez. Portanto, é politicamente inviável. Talvez seja um dos melhores treinadores brasileiros da atualidade, mas a CFB não quis. Não interessa às raposas.

Dunga foi o escolhido. E não é o problema.

A questão está na forma como as coisas acontecem no futebol brasileiro e dentro da Confederação. Na coletiva de imprensa um jornalista perguntou se Dunga ficaria até 2018, e a resposta partiu da boca de Marin, que deixará de responder oficialmente pela CBF já em 2015, dando lugar a Del Nero – este sentado ao seu lado na coletiva.

Definitivamente, a confederação é um lugar onde o capeta e o seu discípulo confundem-se e acabam personificados em uma só imagem. Pelos corredores o cheiro é de naftalina.