Por Giovanni Romão

>>> CPF opta mais uma vez por um treinador que dê a cara a tapa no ambiente esportivo e que não perturbe as diretrizes políticas e financeiras da entidade. O brasileiro quer título; a CFB, dinheiro!

dunga

Há duas formas de avaliar o retorno de Dunga ao comando da Seleção Brasileira. Um viés é puramente esportivo – o treinador que vai conduzir as preparações para os próximos torneios – Copa América, Eliminatórias, Confederações, Olimpíadas (quem estará à frente o projeto Olímpico ainda está em aberto) e Copa do Mundo. Analisar os jogadores que têm à disposição e convocar. Assistir aos jogos dos adversários e achar a melhor forma de pará-lo. Formar o grupo; transformá-lo quando necessário. Aglutinar e capacitar para conquistar resultados. Títulos. Esse é o papel do treinador e sua relação direta com o futebol.

A outra janela para observarmos a volta do ex-capitão ao comando da Amarelinha é de ordem administrativa. Parte de cima para baixo. Da CPF (que convidou) para o cidadão (que aceitou o convite). Nos últimos 10 anos, o Brasil já contou com 7 treinadores diferentes – sem contar os interinos e os que foram e voltaram para conduzir ou encerrar ciclos de Copa: (Parreira – 94 e 2006), Felipão (2002 e 2014). Apenas a título de curiosidade, a Alemanha teve 10 treinadores em 100 anos de futebol profissional. Repetindo, o Brasil em 10 anos contou com 7 diferentes nomes.

Voltando ao primeiro parágrafo, a decisão pelo lado futebolístico não é assim tão ruim se pegarmos como base os números da primeira passagem de Dunga pela Seleção. No clico 2006-2010, Dunga conduziu o time em 60 jogos – venceu 42, empatou 12 e perdeu apenas 6 partidas (incluindo o 2 a 1 para a Holanda nas quartas da Copa). Venceu a Copa América, Confederações e se classificou em primeiro nas Eliminatórias. Teve vitórias marcantes, como o 3 a 0 e o 3 a 1 para cima da Argentina, o 4 a 0 no Uruguai e o 6 a 2 em Portugal. Sim, perdemos a Copa. Assim como a Alemanha também perdeu em 2006 (em casa) e em 2010. Mas, no conjunto, o trabalho foi positivo.

Agora, retomando o segundo parágrafo, a decisão da CPF faz a linha da velha política do futebol. Essa, sim, que precisava se renovar e não se renovará. Acima do bem e do mal, os cartolas do futebol brasileiro estão pouco se importando para títulos ou o que pensa o povo. Também morrem de medo de treinadores queridinhos da imprensa por suas posturas transparentes, como Tite e Muricy. Temem, pois sabem que com esse perfil de técnico a CPF ficaria muito exposta às críticas. Com um encrenqueiro na linha de frente, o conflito fica restrito ao campo esportivo e não respinga nos reais interesses da confederação. Há também um “grito” imbecil de independência. Como se a entidade já não assim fosse.

Saber se Dunga ficará até 2018 – se será ou não bem-sucedido. É difícil dizer. Qual será seu comportamento junto à imprensa? Manterá foco no grupo fechado ou vai abrir diálogo com os meios? Quem serão os convocados? Haverá grande renovação ou parte do plantel será o mesmo de 2014? O Dunga de hoje é o mesmo de 2010? Está atualizado tecnicamente? Optará pela tática ou apostará na frieza de guerrilha – que não deu certo – novamente?

As perguntas são muitas e as repostas ainda poucas. A única certeza que nos cabe carimbar é a postura de um camelão que mais uma vez a CBF adota. No futebol dentro de campo tudo pode acontecer, uma vez que futebol é futebol; e o jogo só termina após o apito do árbitro. Fora dos gramados, nada muda. Ou talvez mudará… para pior. Afinal, quando o assunto é CBF não podemos nem dizer que o futuro a Deus pertence.