Por Giovanni Romão

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A secretária de Saúde da Pindamonhangaba, Sandra Tutihashi, é dona de uma invejável oratória – sem sobras de dúvidas. O administrador da Santa Casa, Camilo Afonso, tem longos anos de experiência à frente da instituição que possui um importante convênio com a prefeitura. E uma coisa é certo: nem Sandra, nem Camilo, são capazes de saber de cabeça todos os dados/números daquilo que coordenam. Por isso a primeira surpresa é: ambos não levavam às mãos papeis que pudessem consultar informações concretas das estruturas que comandam.

Eis as primeiras impressões que marcaram na última quinta-feira, dia 15, a Audiência Pública sobre a saúde realizada na Câmara de Vereadores. Extensa, a sessão teve início às 19h e terminou por volta das 23h30. Do grupo de 11 vereadores, apenas Toninho da Farmácia e Martim César não marcaram presença. Do poder executivo, estava no plenário o corpo técnico da secretaria de Saúde e o vice-prefeito Dr. Isael Domingues. Também presente Donato José Medeiros, do COREN (Conselho Regional de Enfermagem)

Apesar da falta de números concretos e prazos reais para algumas promessas, como a construção do pronto socorro infantil, Sandra até que passou pela sessão demonstrando ciência sobre a situação da saúde. Considerou que de fato Pinda vive um momento bastante complicado, mas atribuiu grande parte do cenário atual aos oito anos de administração João Ribeiro. Algo um tanto quanto equivocado por parte de Sandra, uma vez que diversos investimentos foram feitos durante a gestão do PPS, como a construção dos PSFs e as melhorias no Posto de Saúde, o hoje centro de especialidades.

O clima também esquentou um pouco entre Sandra e o vereador professor Osvaldo, organizador da Audiência. Em diversos momentos a secretária apontou que o parlamentar não estaria entendendo suas explanações. Osvaldo, por sua vez, mostrou-se pouco satisfeito com as argumentações para as soluções no setor de saúde.

Um dos destaques da audiência foi exatamente a participação popular. Desde 2008, quando comecei a cobrir as sessões de Câmara, essa foi a audiência pública com a maior e mais efetiva participação popular. Pior para o administrador da Santa Casa, Camilo, que viu seu tom irônico ser engolido pela insatisfação popular. Se algo mudará pelas bandas da misericórdia, acho bem difícil, mas o administrador enfim foi questionado como deveria. E foi sarcástico como sempre…

Pouco se falou de dengue, e a audiência girou mesmo em torno da falta de médicos, de investimentos em infraestrutura e de remédios na rede pública e a situação do Programa 30 horas para os enfermeiros, que não foi adotado em Pinda. O representante do COREN, Donato, foi enfático sobre a situação em que os profissionais do setor têm atuado em Pinda. Acusou o município de atitude omissa diante de condições irregulares, como a carga excessiva de trabalho. Sandra saiu na defensiva dizendo que Pinda trabalha dentro das regras estabelecidas. Os dois alinharam uma reunião para a próxima semana.

É difícil saber se a saúde irá melhorar nos próximos tempos, mas a certeza que fica é da gravida do problema. Pior ainda ver como tem pessoas, como o administrador da Santa Casa, e instituições, como o poder executivo, pouco comprometidas (no primeiro caso) e inertes (no segundo) diante de uma situação que os próprios admitem: está longe de ser ideal; quiçá, boa.