Por Giovanni Romão

Senna-pintura1
Obra “Formula Alone”, de Oleg Konin, retrata o desejo de muitos fãs do esporte a motor

Ayrton Senna ainda movimenta cerca de 1 bilhão de reais por ano por meio de produtos que levam sua marca.

O Instituto Ayrton Senna, hoje administrado por sua irmã Viviane, atinge algo na casa de 2 milhões de crianças em mais de 1.300 municípios brasileiros.

É para os paulistanos, segundo recente pesquisa do DataFolha, o maior ídolo esportivo do país, com 47%, superando Pelé, que tem 23%. Pesquisa que, sem dúvidas, podemos estender para uma realidade muito além dos limites do município de São Paulo.

As TVs, sites e jornais, seja lá qual for a mídia, destinam longas horas de programação ao tricampeão mundial de Fórmula 1. E essas manifestações de homenagens não ocorrem apenas no 1º de maio de cada ano desde 1994…

“Caralho! […] Bateu, bateu feio […] O Senna”

Passava um pouco das 9h da manhã daquele domingo, 1º de maio de 94, quando ouvimos da sala de televisão da casa dos meus avós o grito que era do meu tio ou meu avô. De pronto, meu primo e eu – com seis anos à época; eu seis dias mais velho – largamos os pequenos carrinhos de miniatura com o qual brincávamos perto de uma palmeira e corremos para dentro da casa.

Não consigo ter lembranças das imagens que via da TV, mas apenas um monte de gente adulta espantada, com os olhos arregalados – cada um dizendo uma coisa. E eram tons desconectos.

Entendemos que se tratava de um acidente com Senna. Sem imaginar consequências e até mesmo o que poderiam significar, voltamos para nossa brincadeira de carrinhos, que ganhou um novo tema: acidente. E o personagem principal era Senna que, após bater seu carro de rua, era atendido e tudo terminava bem. Talvez por isso a pintura do ucraniano Oleg Konin, divulgada há 2 anos, seja tão emblemática… Senna era ídolo. E ídolos não morrem!

O almoço daquele domingo seguiu com o tema Senna. Era claro que a batida tinha sido forte, meu pai, meu tio e meu avô falavam do helicóptero ter pousado na pista para socorrer Senna e o quanto aquilo era um mau sinal. Na nossa brincadeira de carrinho deu tudo certo. Senna está vivo.

Naquele mesmo instante de almoço e sobremesa na casa do vovô, no hospital Maggiore, de Bolonha, o tempo passava e, aos poucos, matava a esperança. E isso acontecia em cada boletim médico anunciado pela equipe médica que atendia Senna.

1º, às 16h30 local: não há como intervir cirurgicamente e o quadro e irreversível… 2º, às 18h05, a Tereza Fiandri, porta-voz da equipe, confirma a morte cerebral de Ayrton… 3º, às 19h05, Fiandri ressurge para anunciar que Senna não registra mais atividade cardíaca e anuncia aos jornalistas lá presentes: “Senhores, Senna está morto”

Mas havia dado tudo tão certo no resgate do acidente nos carrinhos de miniatura…

O artista Oleg Konin com sua sensibilidade permite que eu volte aos primeiros parágrafos deste texto para acrescentar apenas mais um ponto: eu prefiro ficar com o “se” e assim viver um pouco mais de um ídolo que formei por vídeos antigos, recortes de jornais do meu irmão e reportagens de TV. Eu fico com o desfecho da minha brincadeira de carrinhos com meu primo Maurício.

Obrigado, Senna!