oscandidatos

 Por Giovanni Romão

Temos eleição em 2014. Em ano de Copa no Brasil parece estranho que iremos às urnas no segundo semestre. Mas iremos. E para escolhermos presidente, governadores, deputados e senadores. Antes disso, claro, tem campanha eleitoral.

Pelo tom que começa a dominar o período de pré-campanha será mais uma eleição ao estilo “toma lá dá cá”… Vai ter bolinha de papel? Vai sim senhor! Vamos ter casos de corrupção jogados aos quatro ventos? Vamos sim senhor! Teremos mentiras e meias verdades? Sim, senhor!

Corrida eleitoral no Brasil, quando não é clichê – “vamos melhorar a educação”, “resolver a saúde”, “investir em infraestrutura” – acaba tornando-se um rinque de pseudos “pensadores” que lutam (sem aspas) pela construção de um País – antes, pelo domínio do mesmo. Isso tudo é reflexo de uma sociedade com cada vez menos ideais… Mas isso é papo pra sexta-feira à noite num bar qualquer.

A triste realidade das nossas campanhas é algo concreto e apenas reflete nosso cenário político de poucas e discretas vozes construtivas. Realidade com a qual ainda sofreremos por algum tempo – difícil estimar o quanto. A maior preocupação recai sobre alguns temas fundamentais que passaram a ser frequentes apenas em período de campanha e que são contaminados por fatores políticos ligados ao voto.

Não é de hoje que bato aqui numa das teclas que mais deveria despertar nossa atenção no cotidiano: o aborto. Já sinto cheio no ar de que o tema voltará aos círculos da campanha de 2014. Uma pena! Em período de votos, assuntos relevantes não são tratados com seriedade. Marginalizados, os temas vêm ao centro sabendo que voltarão ao escanteio dentro em breve –  basta passar o pleito.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, no mundo são realizados hoje cerca de 20 milhões de abortos clandestinos por ano. No Brasil, esse índice chega a 1 milhão de cirurgias anuais – sendo que o registro de mulheres que morrem nas mesas de “rebimbocas” clandestinas chega a 250. E não são apenas números – são histórias, pessoas, sonhos… Definitivamente, precisamos sair do lugar. E, para isso, precisamos discutir o tema, trazê-lo ao centro do debate social – não político.

Enquanto não nos permitirmos olhar para o assunto de forma séria, serena e respeitosa, sem que esse arquiconservadorismo arraste o mundo incólume ao tempo, tudo continuará do jeito que está. Em suma, tudo vai de mal a pior. Não falar da questão do aborto é ruim. Levantar o tema em tom poliqueiro é atitude pérfida e amoral. O direito ao silêncio também lhes cabe, caros pré-candidatos!