>>> Carente de postura ética, política sofre nova derrota na Câmara de Pinda, em sessão que marcou o arquivamento do relatório final da CEI dos Carros. Vereador professor Eric faltou e Mesa Diretora não soube explicar ausência

Por Giovanni Romão

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Populares tentaram, mas não foram ouvidos (Foto: Thaís Aguiar)

A política é mágica, intrigante e envolvente. Cabe à “politicagem” o papel da imoralidade, da falta de ética e da vergonha levada abaixo dos tapetes. Não há contra argumentos. Talvez existam questões racionais, mas diante dos desmandos da classe política, qualquer nível de racionalidade pode resultar em impunidade.

Isso aconteceu na noite desta segunda-feira, dia 10, na Câmara de Pinda. Foi a voto do plenário uma resolução interna que permitiria a aprovação ou não do relatório final da “CEI dos Carros” e, consequentemente, a abertura da Comissão Processante. Refrescando a cabeça: a CEI foi iniciada após o programa Fantástico, da Rede Globo, mostrar imagens do parlamentar Martim César fazendo uso indevido do carro da Câmara. Em entrevista à Rede Globo, Martim confirmou o uso e alegou desconhecer os procedimentos internos – mesmo estando em seu sétimo mandato.

O relatório final da CEI, assinado pelo vereador Osvaldo Negrão, pedia a cassação do mandato de Martim. Colocado em votação a resolução neste noite, a mesma foi rejeitada por maioria simples. Resumindo, foi à gaveta o relatório final da CEI. A pizza, como esperado, foi servida…

A votação

Por terem participado da CEI, Carlos Magrão, Osvaldo e Roderley Mioto não puderam votar. Assim como o presidente Ricardo Piorino, que foi o denunciante do caso, e o vereador alvo das investigações Martim César.

Aberta a votação, foram favoráveis à resolução (e ao relatório final) os vereadores Dr. Marco Aurélio e Felipe César. Votaram pelo arquivamento da CEI: José Carlos Gomes Cal, Jânio Lerário e Toninho da Farmácia.

Repercussão

Em entrevista à imprensa, Jânio argumentou seu voto dizendo ter considerado o relatório final exagerado. Para ele, bastava indicar para que Martim devolvesse o dinheiro das viagens. Postura que Martim já teve. Ao nobre vereador, eu diria, a questão em pauta é a moralização, não as fatias contáveis em reais.

Autor do relatório que pedia a cassação de Martim, o vereador Professor Osvaldo falou em indignação e lamentou o fato do tempo desprendido à CEI ter terminado em arquivamento do processo. O caso segue, em esfera civil, sendo conduzido pelo Ministério Público. Presidente da CEI, o parlamentar Carlos Magrão também falou em descrédito da classe política após  o resultado da noite.

Questões que ficam

Meu artigo já tem mais de 5 parágrafos e não apareceu o nome do vereador Professor Eric. Ele de fato não compareceu ao plenário. A Mesa Diretora não soube informar o motivo da ausência do parlamentar. Em seu perfil no Facebook, o parlamentar alega ter acordado passando mal, tendo ficado no hospital até o fim da noite.

Absurdo: caso Eric estivesse presente e votasse favorável ao relatório haveria um empate. Ninguém da Câmara soube informar quais seriam os procedimentos em caso de empate. Pasmem!

E, mais uma vez, a TV Câmara não entrou no ar na NET. Bom, a alegação será a mesma de sempre em dias de clima mais tenso: problemas técnicos. Hum!

Ao futuro

Para um respirar um pouco mais saudável da política de Pinda, apenas com uma renovação de fato. Do jeito que está, e com a maioria dos “seculares” que ocupam suas cadeiras cativas no Legislativo, não sairemos mais do lugar. Ou talvez sim, nos afundando em um buraco cada vez mais profundo. Hoje a política de Pinda, assim como outras esferas públicas, sofre de uma doença crônica: a amoralidade.