Por Giovanni Romão

20131206_173638 

Com dois ramos de flores ao seu lado, Elisabeth observa a movimentação em frente à Câmara Municipal da Cidade do Cabo. No mesmo local em que Nelson Mandela fez seu primeiro discurso após 27 anos de prisão, os residentes de Cape Town, cidade localizada na província Ocidental da África do Sul, pararam para uma homenagem. “Ele foi…”, Elisabeth desvia o olhar para uma bandeira sul-africana antes de completar: “Ele é nosso herói!”

elisabeth
Elizabeth com flores para homenagear Mandela

Dizer que a África do Sul acordou mais triste nesta sexta-feira, dia 6 de dezembro, seria como escrever um lead para um jornalista, ou receitar alguns remédios para um médico… Mas sem dúvida é possível afirmar que a África acordou mais orgulhosa. Aos 95 anos, Nelson Rolihlahla Mandela se foi. Há mais de 2 anos, a África se prepara para esse momento. “Ele lutou de corpo e alma… Não teve medo e ensinou que havia caminhos para um país mais justo”, considera Elisabeth.

Aos 68 anos e nascida em Cape Town, ela quer dar um último Adeus. Pergunto o que ela diria a Mandela se pudesse ficar frente a frente com ele. Elisabeth novamente procura no ar uma resposta: “Obrigado por acreditar!”. Ao referir-se sobre o regime do Apartheid, que marcou a África por mais de 40 anos, ela diz: “Foi como um filme de terror. Aos brancos as posições de doutores. Aos negros, os serviços pesados. Negro limpava, carregava peso. Mandela colocou um fim no que um dia foi a nossa realidade”, diz.

Pela cidade de Cape Town o comércio funcionou normalmente, mas o assunto a cada esquina, no rádio, nos jornais, é Nelson Mandela. Um taxista ouvia o rádio ao final da tarde e as vinhetas durante a programação faziam uma veneração a Nelson Mandela. É possível afirmar, com clareza, que o orgulho superou o luto.

Em um restaurante na Long Street, uma das principais ruas de Cape Town, um garçom de apenas 24 anos, Sikhumbuzo “Khumo”, fala de uma história que pouco viu, mas, como diz ele, “é como sentir na pele por quem viveu”. Quem foi e o que fez Nelson Mandela, “Khumo” ouviu primeiro dentro de casa. “Depois na escola você acaba aprendendo sobre a história, mas desde pequeno ouço falar de Madiba”, conta.

jornal
Jornal da manhã em Cape Town

Quando “Khumo” nasceu, em 1989, Mandela já estava na prisão de Pollsmar, para onde foi transferido em 1982, depois de detido por 18 anos em Robben Island. Após deixar a prisão em 11 de fevereiro de 1990, Mandela foi ao encontro do povo por quem lutou e esteve disposto a entregar a vida, sendo eleito presidente em 27 de abril de 1994.

Se a África continuará a mesma após o falecimento de Mandela, Elisabeth responde: “Sim, ele a transformou!”

Não preciso dizer mais nada! Apenas não há palavras para descrever estar na África hoje.