>>> Nome de Ricardo Piorino e a afirmação de que um segundo vereador deve ressarcir os cofres públicos por uso indevido do carro são fatos novos levantados nesta terça-feira

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A tão esperada oitiva com o parlamentar Martim César, alvo central das investigações de uso indevido dos carros da Câmara, aconteceu na tarde desta segunda-feira, dia 26, reunindo os três vereadores que compõe a CEI dos Carros: Carlos Magrão (presidente), professor Osvaldo (relator) e Roderley Miotto. O que poderia ter sido encerrado no famoso “chover no molhado”, ganhou outros ares diante de algumas novidades apontadas pelo vereador investigado.

Martim virou reportagem do Fantástico e da TV Vanguarda ao ser filmado em viagens a São Paulo, nos meses de julho e agosto, em carros da Câmara. Na primeira, o parlamentar aparece chegando ao hospital Albert Einstein, acompanhado da filha e da esposa. Sobre o caso, Martim afirmou que iria a São Paulo naquele dia, por compromissos da Câmara, e coincidiu da cirurgia da filha ser no mesmo dia. Sobre o fato da filha ter sido levada de volta a Campinas em um carro da Câmara, o vereador apontou: “O carro estava lá, então propus a levar.”

Com relação à filmagem de agosto, Martim confirmou ter ido ao CREA (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia). Segundo o vereador, ele estava ajudando o presidente da Casa, Ricardo Piorino, a dar andamento a uma nova lei de loteamento no município, que acabou sendo apontada como inconstitucional pela justiça. “Os pedidos para que eu fosse ao CREA sempre foram verbais”, disse Martim aos membros da CEI. Martim negou usar o carro para fins particulares.

Fatos novos

Durante a oitiva com os motoristas da Câmara, realizada em setembro, foi afirmado que Martim fez uso do carro para fins particulares em 8 de janeiro – data do falecimento de sua mãe. Nesse momento, Martim colocou um fato novo ao caso: o nome do presidente, Ricardo Piorino.

“Isso [a decisão pelo uso do carro da Câmara] partiu dele [Ricardo Piorino], que pediu ao motorista. A minha filha bateu o carro em Campinas, dai ela ligou para nós e o Ricardo estava na minha frente e pediu ao motorista. Tanto que não tem nem ordem de viagem.”, explicou Martim em entrevista à imprensa após a oitiva. A decisão contraria inclusive uma resolução de 2011 da Casa, que aponta que os carros do Legislativo devem circular apenas com a presença de um vereador.

Outro fato novo trazido por Martim foi de que um segundo vereador também irá ressarcir os cofres públicos por suspeita de uso irregular de carro. Martim já devolveu R$ 1.785,14. “Não vou falar nome, pois ele [o segundo vereador que irá devolver dinheiro] já comunicou ao Ministério Público. O MP citou 7 vereadores, inclusive eu, para que fizesse uma defesa das viagens feitas. Esse um achou melhor não omitir; então ele vai ressarcir das duas viagens que fez. Ele usou para uso próprio.”, destacou Martim.

Na conversa com a imprensa, o vereador alegou que sofre de perseguição política. “Foi gente daqui [de Pinda], que quer exterminar a gente. Isso [a informação dos dias de viagens a São Paulo] saiu daqui de dentro – é funcionário que não gosta de mim, por que quando fui presidente eu pegava no pé e pego até hoje. Eu fico aqui quase o dia todo. Tem funcionário que não gosta, munícipes que não gostam; vereadores também…”

Sobre a finalização da CEI, o parlamentar disse que aguarda o relatório final e deixou no ar sua expectativa de que nem todos os três membros da Comissão sigam o relatório final, que será assinado pelo professor Osvaldo. “Agora vai sair o relatório final, né, do vereador Osvaldo. Todos assinam o relato – pode ser que algum deles não queira participar do relato final, por uma coisa ou outra; e isso [o relatório] será enviado ao Ministério Público.

Expectativas

O relator do processo, professor Osvaldo, também foi ouvido pela imprensa. Sobre o fato de Ricardo Piorino ter sido citado por Martim César, o relator afirmou que ainda não há uma definição se o presidente será ouvido pela CEI. “Sendo sincero: eu ainda não parei para pensar nisso. Agora a comissão vai sentar e estudar; o foco pra mim não é essa viagem [do dia 8 de janeiro], mas as denúncias que temos provas – apresentadas pelo Fantástico. O que ouvimos aqui veio a concluir tudo o que já havia sido dito. Eu não tomo a decisão sozinho [de convocar mais alguém a depor], então temos que conversar”, disse.

No entanto, Osvaldo confirmou que a autorização de Piorino no dia 8 de janeiro foi um fato novo do processo, bem como as orientações do presidente para que Martim ajudasse no andamento do projeto dos loteamentos. Osvaldo disse que espera pela conclusão da CEI até a data limite – 17 de dezembro. Mas não descartou uma prorrogação por mais 90 dias. “Temos esse direito, mas pretendemos que seja rápido”, encerrou.

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