Por Giovanni Romão

>>> Em entrevista ao Papo Sem Censura, Diretor de Cultura fala sobre sua área, o desenvolvimento da cultura na cidade e o 36º FESTE.

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Foi no interior do reformado Teatro Galpão, popularmente conhecido como COOTEPI, que o Diretor de Cultura de Pindamonhangaba, Afonso Barone, atendeu ao blog. Com a expressão cansada após um dia de inaugurações e próximo da primeira peça após a reinauguração do teatro, Afonso falou sobre os desafios da sua pasta e sua paixão pela cultura.

Mocidade Independente de Padre Miguel de coração, Afonso “respira” cultura diariamente. “A cultura divide a história”, diz ele.

No bate-papo, Afonso também falou sobre o novo Espaço Cultural Teatro Galpão, que foi reinaugurado após mais de um ano de obras, e ainda colocou sua expectativa sobre o 36º FESTE: “As pessoas de Pinda gostam de teatro; gostam de cultura… Acho que vamos bombar neste festival e será para lavar a alma do FESTE do ano passado.”

Leia:

Papo sem Censura: Você participou de dois momentos da COOTEPI. Criação, lá nos anos 2000, e agora reinauguração do espaço como Teatro Galpão. Quais os sentimentos semelhantes desses dois momentos e o que diferencia os dois?

Afonso Barone: (Com o olhar, Afonso percorre as paredes do teatro antes de responder…) Momento semelhantes?! Olha, acho que foi de alegria de eu estar junto com o Vito Ardito. Na época em que procurei o Vito (anos 2000), foi uma época em que nós fazíamos tudo no clube Literário, onde tínhamos que montar toda uma estrutura incrível – montar tudo para apresentar um teatro. Então, quando consegui juntar 200 pessoas na escola da Rosana Pagani, pedimos: “Vito nós precisamos de um espaço”. E ele disse: “procurem!”. E então achamos este galpão. Nós entramos e aqui construímos tudo. Eram oito grupos de teatro em Pinda na época. Então, hoje, eu senti o prazer de estar junto com ele (Vito) novamente – na reinauguração do espaço com ele. Desde janeiro, quando eu assumi a Cultura, a primeira coisa que ele (Vito) disse pra mim: “E a COOTEPI, nós temos que abrir!”. Falei que tínhamos que abrir rapidinho e estamos correndo atrás desde janeiro.

Papo sem Censura:  O espaço ficou mais de um ano fechado para obras. Como vocês pegaram a estrutura quando assumiram em janeiro?

Afonso Barone: Pegamos simplesmente com os banheiros prontos e uma parede feita. As compras também estavam encaminhadas. Mas o projeto estava perdido – as pessoas que estavam por trás, como engenheiros, não sabiam muito o rumo. Por isso demorou ainda mais. Teve todo um tramite de correr atrás, fazer o planejamento, passar pelo bombeiro… Tivemos que reestruturar o projeto para fazer certo.

Papo sem Censura: Falando do festival que estamos vivendo, o que representa o FESTE pra você?

Afonso Barone: O FESTE é uma história. Eu fui chamado, na época da Dona Yaio (então secretária de Educação), para ajudar a construir o festival. Então hoje eu me sinto meio avó ou pai (Afonso ri) do FESTE. Assim, eu sinto que é meu, não no sentido de ser dono, mas de fazer parte da história. Começou lá com o Diorgenes… Mas quando passou a ser da prefeitura, eu ajudei muito nessa construção. Eu tinha diversas ligações em São Paulo e, com uma outra visão, eu ajudava muito; por isso acabei ficando muito próximo da equipe de cultura, mesmo não fazer parte da gestão. Enfim, o FESTE faz parte da minha trajetória.

Papo sem Censura:  Você falou em uma época de oito grupos de teatro na cidade e isso se perdeu ao longo dos anos. Como fazer para reverter este quadro?

Afonso Barone: Começamos já, né?! Em 2000 tínhamos oito grupos de teatro forte, tínhamos o FESTIL, que também alimentava esses grupos – infelizmente ele foi se desgastando, foi sufocado, perdemos espaço… Este espaço mesmo que estamos aqui foi transformado em um pseudo teatro municipal; a COOTEPI foi expulsa – a cooperativa “deixou de existir”, e, junto com ela, os grupos também. Agora nós temos quatro grupos atuantes e estamos revertendo outra vez. Agora com os projetos, o Pinda em Cena e as oficinas que a gente vai começar, e o FESTIL novamente incentivando os grupos, nós conseguiremos reverter. Já estamos conseguindo!

Papo sem Censura: E quais as expectativa para este fESTE?

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Afonso Barone ao lado de Beth Cursino – secretária de Educação e Cultura

Afonso Barone:  As melhores possíveis. Até um pouquinho de medo, pois os ingressos estão acabando rapidamente. Mas é um medo bom. Enviamos uma pessoa do departamento para ver como estava a Cultura em outras cidades e a referência que eu tenho da nossa cultura é muito boa. O que outras cidades estão lutando nós já temos:  o público. Quando fazemos o Pinda em Cena enche de gente. As pessoas de Pinda gostam de teatro; gostam de cultura… Acho que vamos bombar neste festival e será para lavar a alma do FESTE do ano passado. Eu fiquei triste no último ano da maneira como os grupos foram recebidos, o local… Quando eu assumi a Cultura eu falei: o FESTE deste ano será uma retomada; receber o grupo com carinho, num lugar descente, um alojamento aconchegante. Estamos retomando!

Papo sem Censura: Para fechar, para o Diretor de Cultura de Pinda, o que é Cultura?

Afonso Barone: Cultura é a expressão do povo. É a parte inteligente do ser humano, a voz de cada um, o que fica de geração para geração. É o que fica para a eternidade. O que estamos fazendo hoje vai refletir lá na frente. A cultura divide a história. Hoje mesmo podemos pegar e analisar que o teatro em Pinda se divide antes e depois da Barca do Inverno. Agora já temos o antes e depois da COOTEPI. Cultura é a nossa história.

* Leia mais sobre o FESTE no link: FESTE em blog