Por Giovanni Romão

>>> Na saída do TSE na quinta, Marina Silva disse que seu partido já era uma realidade junto à sociedade brasileira. No sábado, ela colocou no bolso uma das principais diretrizes da legenda que se propunha a criar…

marina

A Rede Sustentável não passou pelo plenário do TSE. Seis dos sete ministros da Casa interpretaram que a falta das 492 mil assinaturas mínimas para a criação de uma legenda impedia o sinal verde para o projeto de Marina Silva ser colocado na rua.

No último sábado, quando assinava sua filiação ao PSB, tendo no peito um adesivo da Rede, Marina destacou que seu projeto resultara no “primeiro partido clandestino da democracia”, em uma crítica direta à decisão do TSE e, especialmente, à atuação dos cartórios regionais no reconhecimento ou negação das assinaturas. Na quinta, ao deixar o prédio do Tribunal, em Brasília, Marina disse: “Já somos partido político sim. Se agora não temos o registro legal, temos o registro moral perante a sociedade brasileira.”

Marina de fato parece reconhecer sua proposta como um partido consumado. Para argumentar, evocou o “clamor” social em torno de sua legenda. No processo de filiação ao PSB, chegou a classificar o ato como “simbólico”, uma vez que aquilo era, na verdade, segundos suas palavras, uma coligação “progmática” do partido do presidenciável Eduardo Campos com a Rede.

>>> Análise: Marina nunca foi “Marina, a diferente” 

Dentro deste cenário, mais uma vez Marina se contradiz. Em atitudes, ela mais uma vez esmaga seu discurso. Afinal, uma das cláusulas pétreas da Rede é o “consenso progressivo”, em que qualquer decisão só “poderia” ser tomada depois de submetida a uma série de amplas discussões em que o resultado final atendesse todas as correntes internas.

No sábado, Marina colocou a Rede em uma “coligação progmática” com o PSB, resultado de uma decisão de um grupo minoritário do “moralmente” criado Rede. Nesta semana, o partido realizará uma reunião de avaliação dos efeitos de sábado… Um dos assessores diretos de Marina, Pedro Ivo Batista, afirmou que a “maioria está perplexa”. Maioria não consultada, diga-se.

Ao pisotear uma das cláusulas pétreas de seu “partido moral”, Marina sepulta mais uma vez seu discurso e empobrece sua postura.

Seu caminho mais sensato agora seria assumir ser “mais do mesmo”…