>>> Se depender da última audiência pública realizada na Câmara os avanços na mobilidade urbana da cidade, população continuará sofrendo com sistema falho e deficiente

ImagemPindamonhangaba tem 11 vereadores escolhidos pela população. Representantes do povo eles têm entre suas atribuições fiscalizar o dia a dia da cidade, passando por questões como saúde, segurança, educação, transporte público. Este, inclusive, foi o tema da última audiência pública realizada no Legislativo, em 8 de agosto. Última quinta-feira.

Dos 11 “homens do povo”, seis permaneceram durante toda sessão – que durou cinco horas. Teve início às 19h e se estendeu até próximo da meia noite. Presidiu a audiência o parlamentar Carlos Magrão, autor do requerimento que convocava o ato, acompanhado de Roderley Miotto, Professor Osvaldo, Professor Erick, José Carlos Gomes “Cal” e Marco Aurélio. O presidente do Legislativo, Ricardo Piorino, estava na abertura mas logo se ausentou. Felipe César mandou um ofício alegando incompatibilidade de agenda.

Jânio Ardito Lerário, Martim César e Toninho da Farmácia optaram por ele: o ensurdecedor silêncio. E a melhor das posições: a ausência. Justamente eles, vereadores com mais tempo de Casa e que acompanham a situação do transporte ao longo dos últimos anos, não compareceram.

Estavam lá também representantes do executivo, como o prefeito Vito Ardito Lerário e a secretária de Educação e Cultura, Beth Cursino. Pela Viva, um dos sócios da empresa, Hélio Camilo Marra, e o gerente local, João Machado. Também uma gama de motoristas e funcionários da empresa. E também a população.

Como bem destacou a jornalista Aline Bernardes, da Rádio Ótima FM, o plenário parecia uma arquibancada de futebol. De um lado funcionários da empresa. Do outro, a população. Por vezes se agredindo verbalmente. E o tema era transporte público: um bem comum, afinal. Ao centro, os administradores da empresa se divertiam com os embates das duas “torcidas”. Triste!

Voltando à sessão, apresentou-se números, questionou-se a lotação em horário de pico, que levou o sócio Hélio Camilo a apontar que em São Paulo também tem lotação. Vito Ardito foi mais longe: disse que a filha mora em Nova Iorque e lá tem lotação no metrô. É quase um: “contentem-se, pindamonhangabenses. Se nesses grandes centro há problemas, como em Pinda não terá?”

Falando nos problemas, eles de fato parecem ser pontuais – alguns até de fácil resolução, como apontaram os próprios gestores da empresa de transporte público. Mas o que me leva a ser pessimista e dizer que não creio em resoluções? Pois esses tais “problemas pontuais” vêm desde os tempos de Pássaro Marron, passando por Tursan. Fala-se em resolver aqui. Ali. E nada acontece!

Faltam ônibus. Falta uma logística mais adequada nas linhas. Falta o bilhete único – promessa de campanha do atual prefeito. E, acima de tudo, falta quebrar o monopólio. Nós já tivemos na Lei Orgânica do Município, como inclusive levantou o assunto uma munícipe presente, a proibição do monopólio no transporte público. Curiosamente isso caiu em 2002 e, no ano seguinte, a Pássaro Marron venceu novo contrato para administrar o transporte por mais dez anos.

O contrato, inclusive, é o mesmo dos tempos de Pássaro Marron, assinado em 2004 – vence no próximo ano . Ou seja, ainda este ano Pinda terá que passar por novo processo de licitação. O mesmo Vito que, após vencer as eleições de 2012 disse que a “Viva estava morta”, agora parece satisfeito com os serviços da empresa.

Aliás, presente na audiência, Vito falou sobre Shopping, construção de túnel, Poupatempo, melhorias no trânsito… Falou, superficialmente, sobre transporte público – curiosamente o tema da noite.

Em entrevista ao blog, os parlamentares Carlos Magrão e Professor Osvaldo, lamentaram o resultado final da sessão, dizendo que, depois de cinco horas, a população saiu novamente sem respostas concretas de melhoria.

E Pinda segue assim. Sem respostas. E, quem utilizada o transporte público começa a desconfiar que Papai Noel realmente optou pela aposentadoria.

* Imagem: Assessoria Câmara Pinda