>>> A primeira pesquisa DataFolha realizada após o clímax das ondas de protestos mostram nova queda na popularidade da presidenta

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Veio ao salão das notícias neste sábado, dia 29, os números da mais atual pesquisa DataFolha, realizada nos dois últimos dias, quinta e sexta, em 196 cidades brasileiras. O levantamento mostra uma nova queda, ainda mais brusca, da avaliação positiva do governo Dilma Rousseff. Um termômetro que pode alterar alguns rumos nos próximos meses, principalmente na relação entre o Planalto e os congressistas e senadores.

Em menos de um mês, 27% dos brasileiros que consideravam o governo Dilma “ótimo” ou “bom” mudaram de opinião, fazendo com que o índice, que já chegou a ser o maior de toda a história pré-ditadura, desmoronasse de 57% para 30%. Os que avaliam como “regular”, subiram de 33% para 43%, enquanto o índice de “ruim” ou “péssimo”foi de 9% para 25%.

Antecessor de Dilma, o ex-presidente Lula enfrentou situação semelhante no final de 2005, após estourar o escândalo do “Mensalão”. Um ano antes da eleição, Lula registrava índice de “ótimo”/”bom” de 28% – menor do que o de Dilma hoje. Porém, a estabilidade da economia e um esfriar do caso permitiram a Lula uma vitória tranquila sobre Geraldo Alckmin no segundo turno no ano seguinte.

No comparativo entre os dois casos, o que diferencia as duas situações são os perfis de seus protagonistas. Mais próximo dos congressistas e com uma relação pessoal amistosa com um grande número de parlamentares, Lula conseguiu administrar sem grandes problemas os ímpetos do Legislativo. Diferentemente do padrinho, Dilma tem um estilo mais seco e frio, não estabelece relações de bastidores e isso a torna, em um momento de queda na popularidade, mas frágil diante da própria base aliada.

Convicta em seu jeito de agir, Dilma não parece disposta a mudar e “beijar mãos” de legisladores para assegurar apoio. Por isso, sua vida política nos próximos meses, até as eleições de 2014, deverá ser de incertezas e de muito trabalho para os seus interlocutores.

2014 é outra história

A queda apontada pelo DataFolha, no entanto, ainda é pouco clara sobre os seus efeitos para o próximo pleito, afinal não existem dados que comprovem que existam outros possíveis candidatos, e quais são eles, que estejam capitalizando com a queda de aprovação do governo Dilma. Mesmo que avaliada como “regular”, a petista ainda pode ser a alternativa mais viável; mas isso só poderia ser comprovado também com uma nova rodada de pesquisa com os pré-candidatos de 2014.