Por Giovanni Romão

>>> Notícias sobre a cassação do prefeito de Pinda saem do campo do sensacionalismo e superam até mesmo a prática do factoide e alguns veículos da região encontram um caminho inédito na “arte” da escrita: o jornalismo da irresponsabilidade

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Pindamonhangaba entrou na noite de 11 de junho preparando-se para uma nova eleição municipal fora do tempo. Iniciado pelo jornalista Irani Lima, em seu blog, o boato sobre a cassação do prefeito tucano Vito Ardito Lerário logo ganhou a cidade. A informação foi tomada como verdade por outros veículos da região.

Nas redes sociais, o fato ganhou grandes proporções, assim como em muitas esquinas da cidade. Enquanto os rumores ganhavam força, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) publicava em seu Diário Oficial ainda na noite de 11, mas já datado de 12 de junho, a conclusão do ministro relator Castro Meira. Não se tratava da cassação do tucano. Mas sim de uma decisão de Castro em enviar o caso para a apreciação do colegiado de sete ministros. Vito pode, sim, ser cassado. Mas, por ora, segue como prefeito.

O furo é sem dúvidas um dos mais “bons sonhos” de um jornalista. De um veículo. Sair na frente. Ser referência na informação publicada em primeira mão. Isso dá crédito. Gera admiração. Porém, assim como uma matéria bem apurada, o furo também deve vir carregado de um fator fundamental: a responsabilidade.

No caso que vimos esta semana, goste você ou não do prefeito, seja ou não parte de seu grupo político, sua responsabilidade maior é com o leitor. Leitor que por horas ficou ansioso para saber quais seriam os rumos da cidade com a saída do chefe do executivo. Quando seria a eleição. Quem seriam os candidatos. Na condição de jornalista, é preciso se libertar da capa do individualismo e assumir posição no coletivo – onde o diálogo e o respeito devem ser mútuos.

Enquanto comunicadores, apaixonados por notícias, pela informação, não podemos permitir que pare de pulsar em nossas veias o bom senso da verdade.  Qualquer rumor criado é sinal de fraqueza de nós, seres humanos. Na condição de jornalistas, a prática da boataria torna-se uma negligência.