jango

Presidente do Brasil por seis meses, entre janeiro e agosto de 1961, Jânio Quadros muitas vezes exagerava na dose do português.

Dono de expressões como “Fi-lo porque qui-lo”, Jango fazia questão de falar da mesma forma como escrevia. Uma formalidade não tão comum para um diálogo.

A característica, além de pouco convencional, gerava algumas confusões.

Certo dia, o chefe da Casa Civil de seu governo, Quintanilha Ribeiro, entrou na sala do presidente e dirigiu-se à secretária:

– Cadê o documento que estava em cima da mesa?

A moça aparentou desconhecer. E Quintanilha prosseguiu:

– Meu Deus. Esse documento tinha que estar aqui. O presidente disse que irá pular em cima da mesa sem esse documento.

Do lado de fora, Jânio percebeu o burburinho dentro da sala e não titubeou em colocar parte da cabeça pela porta e desfazer o embaraço:

– Não foi isso que disse, Quintanilha. O que falei sobre o documento foi: ‘pu-lo sobre à mesa’. Pulo do verbo ‘pôr’, Quintanilha. Do verbo ‘pôr’…