rio Um dia você sai para trocar o carro e volta dizendo que comprou um apartamento. Mudanças de plano repentinas acontecem. Passada a fase de espera pela obra, colocação dos pisos, surtos e decepções com a empresa de móveis planejados, você começa a olhar para os objetos que ainda faltam – e, claro, precisará comprar.

Ouve de uma tia que, apesar de solteiro, você tem que ter uma cama de casal – “é mais confortável e ainda pode fazer besteirinhas com mais espaço”. Daí você olha site daqui. Vasculha loja dali. E os valores das kingsize são absurdos. Preços na casa do 1,5, dos 2,5 mil. Em tempos de pós-graduação, financiamento e tudo o mais, acaba desistindo. – Basta um colchão no chão e bastou!

Rio de Janeiro.

Cidade que me cativa cada vez mais. Vou pra lá e vejo samba em cada bar. É samba raiz. É cartola. Noel. Jamelão. Beto sem braço… É samba moderno e contemporâneo, com Zeca, Arlindo. Enfim, é samba. De um jeito ou de outro.

Lapa, então, dizem alguns: é o centro do caldeirão. “É onde tudo ferve”. E é quente mesmo! Tem comida da boa. Bolinhos de carne seca, bacalhau. E com catupiry dentro… Tem porção de fritas, gratinada com queijo e com uma calabresa – crocante – da boa no meio. O Rio é diversidade – em todos os sentidos. Inclusive na gastronomia. Se for ao Leblon, você come bons pratos no Diagonal. Um camarão ao alho e óleo de dar água na boca. Uma picanha ao ponto de não sobrar nem o cheiro.

E você sai ainda surpreso, pois o mais gostoso de tudo era a farofa. Ual, que farofa!

Vá ao outro lado da cidade e encontre uma Tijuca tranquila em tempos de UPP. Comer no Bar da Gema um bom Nachos Cariocas. Que raios é isso, pensava no primeiro momento. Batatas fritas fininhas, em rodelas, com carne moída e cheddar derretido. Que prato simples. Que prato delicioso.

E daí você volta a caminhar na Lapa e na calçada de uma das principais ruas do bairro, Rua Riachuelo, tem uma cama kingsize. Alguém dorme sobre ela. Alguém que aparenta não ter muita coisa material na vida. Mas tem uma kingsize. E a kingsize, aparenta, num primeiro olhar, ser a casa daquele alguém.

No instante um, você surpreende-se com a cena e passa a dar ainda mais valor para uma kingsize, na mesma medida que – e em um súbito de hipocrisia cotidiana – concretiza em sua cabeça que de fato, pra você, ter uma kingsize é apenas um desejo de luxo.

Vai-se de colchão no quarto do AP, por ora!