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Representando a comunidade “virtual” Pinda Cidadã, Mobilização já!, Ana Cristina Pereira Godoi fez uso da tribuna livre da Câmara de Vereadores de Pinda, na noite desta segunda-feira, dia 3 de junho. Na ocasião, ela leu e entregou ao Legislativo um manifesto para que soluções reais sejam aplicadas ao setor de saúde da cidade.

A equipe do blog “Papo Sem Censura” estava presente no plenário e foi informada de que o discurso de Ana Cristina não estava sendo transmitido pela televisão. A assessoria de imprensa da Câmara confirmou que a fala da munícipe não foi ao ar “por problemas de ordem técnica”.

 

Leia abaixo o manifesto na íntegra:

A comunidade Pinda Cidadã Mobilização Já, sai da condição subjetiva e se torna presente diante dos acontecimentos relatados por muitos dos membros com a freqüente e assustadora realidade que norteia a população Pindense, envolvendo a Saúde no nosso município. Fatos que ferem a dignidade da pessoa humana- Artigo 1º da constituição Federal podem ser lidos livremente no acesso das páginas que compõem os posts da nossa comunidade. No entanto, a única saída que encontramos foi apelarmos á esta casa, que nos é assegurada pela lei que diz: Todo poder emana do Povo que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos da Constituição. Entendemos que a cidadania, precisa ser consolidada em articulação com o desenvolvimento da democracia e a garantia dos direitos sociais, políticos e humanos. Os cidadãos precisam de referenciais políticos em defesa de suas causas, e não de órgãos que os represente apenas para cumprir formalismos e referenciar a prática demagoga do governante ou dirigentes. È possível obter ótimos resultados nesses setores, mas é preciso enfrentar o problema com coragem.

Sem informação e reflexão coletiva, o controle social não acontece. Sem a participação da comunidade a Saúde não passará de uma possibilidade.

Eis então o nosso desafio: Fazer com que a possibilidade se torne realidade, comprometendo todos os gestores do nosso município, os profissionais ligados á área da saúde, que tão somente deveriam ter o papel transformador do seu ambiente e não apenas um mero recurso humano realizador de tarefas pré-estabelecidas.

Pedimos diretrizes, para que não fiquemos absortos em nossos problemas. Gestão no fornecimento da atenção básica, desenvolvendo ações de qualificações dos profissionais da área por meio de estratégias de educação permanente e de oferta de cursos de especialização e residência multiprofissional e em medicina da família, para que não tenhamos que provar muitas vezes com a própria vida, da incompetência de muitos médicos que atendem como se estivessem cuidando de bonecos de plástico!

Saúde não é mercadoria, saúde é vida ou morte!

Estamos de luto, junto com as famílias que perderam seus entes queridos, por falha no atendimento ou demora em procedimentos considerados de emergência. Nos compadecemos com aqueles que precisam procurar outros municípios para terem seus problemas de saúde resolvidos. Nos revoltamos quando vemos profissionais da área médica violando a personalidade jurídica de uma pessoa que apenas queria nascer, mas não podia atrapalhar a sua hora de sono. Quando um idoso precisou chamar a Polícia para poder ser atendido porque chegou três minutos atrasado na consulta, por dificuldade de locomoção. A questão do acolhimento precisa ser trabalhada nas UBSs do nosso município, é a humanização em ação! Pedimos contratação de mais médicos, espaço adequado e separado dos adultos para as crianças, pois fatos relatados na comunidade apontam uma demora de até quatro horas para alguém ser atendido em nosso PS local, (contrariando uma informação passada na rádio local, dizendo ser de no máximo 20 minutos) as condições são precárias e desumanas, onde as mães tem que ficar em pé com a criança no colo, nos corredores do PS, pois não tem acomodação suficiente para todos. Pedimos mais doses de vacinas, para que não sejamos pegos de surpresa com uma epidemia de gripe, esta que já assombra outros municípios vizinhos. Questionado o problema, a administração defende a tese que trabalha com o orçamento do ano passado, mas a Lei 8.745 de 9-12-1993 dispõe sobre a contratação de servidor público por tempo determinado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público.

Então diante da necessidade pedimos o uso da lei em defesa da população.

Com respeito e confiança aos atributos de suas funções pedimos providências com relação à Saúde (PS,PSFs,Ambulatório, Farmácia funcional, transporte para tratamento, exames de baixa, média e alta complexidade, atendimento humanizado) , tão somente assim exercendo um direito de cada um, pois os direitos não se concedem, mas se ganham! A porção cidadã de cada um reside na capacidade de organização para modificar a realidade, na coragem e na habilidade de mobilizar e revolucionar a si e ao próximo; predispõe um ideal onde o ser humano tem um papel histórico, diligente e reivindicativo. È possível agir em prol de causas que exerçam o prisma individual. O primeiro passo é perceber que causas sociais são causas de Todos e, por isso, devem servir também como motivação para todos.

Portanto, diante do exposto acima, cobramos uma resposta das autoridades e conclamamos aos Senhores vereadores o apoio nesta luta por uma saúde nos níveis aceitáveis em nosso município.

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Nota de um planejamento social estratégico:

A atuação social deve ser sempre estratégica, ou seja, definida a partir do entendimento da realidade em que se vive. O processamento dessa realidade e o desenvolvimento de novas intervenções que contribua para a consolidação de políticas públicas na saúde são diretrizes que oferecem a oportunidade de se viver em uma sociedade transformadora, convivendo sob preceitos éticos e buscando a equidade social. A superficialidade e dificuldade no entendimento específico sobre populações com que se deseja trabalhar, a falta de levantamento sobre os níveis de necessidades e demanda social desses grupos, a desorganização gerencial e a falta de vínculos diretos com a política pública permeiam ainda marcadamente muitas ações sociais e assistencialistas. O paradigma de soluções emergenciais ainda faz parte do processo de planejamento, ou NÃO planejamento e Gestão!

 (Foto acima: Ass. Câmara Pinda)