sociedade

Não é preciso muito tempo de análise para diagnosticarmos que o cotidiano das relações interpessoais é amparado por três públicos: a classe política, a imprensa e a comunidade. A terceira composta por diversos protagonistas, como empresários, comerciantes, ONGs, associações de classe, corpo acadêmico, movimentos segmentados, estudantes. E por aí vai…

Também não precisamos tirar muitos minutos para afirmar que em termos quantitativos, o pilar mais numeroso e plural dessa estrutura é justamente o terceiro. Assim como podemos constatar que os representantes dessa parcela, que denominamos de comunidade, deixou de ser formada por seres basicamente receptores. Essas pessoas também se posicionam, debatem, criticam… E as redes sociais surgem como uma plataforma fundamental para consolidar esse “diálogo” pluralizado.

No entanto, em um dos pontos que a sociedade ainda precisa avançar – e muito – é na estruturação da agenda a ser debatida. O controle dos temas de ordem social, civil, de direito, entre outros, ainda está restrito nas mãos de poucos. A impressão é que a classe política, enquanto representante dos cidadãos, age sem ao menos ouvir sua própria “raiz” de sustentação. E a mídia atua como uma mera interlocutora (pouco crítica), apenas tratando o que é definido na esfera política e como a comunidade reage às decisões.

Ainda dentro do assunto de mídia, na qual me encaixo enquanto comunicador, a própria está deteriorada no que diz respeito ao seu papel legítimo nesse processo. No caso das eleições, por exemplo. Os veículos se deixam levar pela agenda política, que, no caso do próximo processo eleitoral, está relacionada às pré-candidaturas de Aécio Neves e Dilma Rousseff e as dúvidas quanto a participação de Eduardo Campos e Marina Silva na corrida pelo planalto. O que realmente tem que estar pautado é deixado de lado, que são os problemas na saúde, na educação, em segurança pública (entre tantos), e se algum desses personagens previamente envolvidos na disputa de 2014 tem algo diferente para propor nessas áreas.

A comunidade, terceiro elemento citado nessas meias-palavras, e como já observado acima, entra nos debates, mas ainda não tem força de conduzir a pauta. Antes de ser eleito presidente do Senado, Renan Calheiros foi eleito senador, mas o debate sobre sua falta de ética e conduta moral só entrou nas rodas virtuais depois da sua posse como líder da Casa de leis. Marco Feliciano sempre colocou suas convicções no dia a dia Câmara e, como legislador, tinha peso nos debates da Casa, mas só teve sua figura questionada quando assumiu a presidência da Comissão dos Direitos Humanos. O aborto vem ao debate apenas em época de eleição, quando os políticos em campanha precisam se posicionar sobre a questão. E por ai em diante.

Na mesma proporção que a comunidade entra no círculo dos debates, hoje fomentados – e fragmentados – nas redes sociais, ela não consegue emplacar suas demandas com a mesma facilidade dos políticos. E a mídia segue dançando conforme a música.

Um alternativa para uma comunidade mais incipiente, antecipada aos debates, seria o envolvimento – o interesse pelos temas do País, dos Estados, do próprio município, ou mesmo do bairro onde se vive. Lavar às mãos é, definitivamente, o caminho menos nobre e o mais vantajoso para os grupos dominantes.